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Má ligação entre o sistema digestivo e o cérebro prejudica a memória

Estudo com ratos identifica uma via de três etapas entre microbiota intestinal, nervo vago e memória; estimular o nervo vago reverte o declínio em animais velhos

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  • Estudo publicado na revista Nature indica uma via de três etapas para a perda de memória relacionada com o envelhecimento do sistema digestivo, inflamação e alterações microbianas.
  • Em ratos, a inflamação gastrointestinal e as alterações que dela resultam afetam a comunicação entre intestino e cérebro via nervo vago, prejudicando a memória.
  • Experimentos com coabitação entre ratos jovens e idosos mostraram que a microbiota envelhecida pode transferir-se entre eles, piorando o desempenho cognitivo dos jovens; antibióticos reverteram esse efeito.
  • A bactéria Parabacteroides goldsteinii é apontada como um componente da microbiota que aumenta com a idade e favorece inflamação, prejudicando o funcionamento do nervo vago.
  • A estimulação do nervo vago em ratos velhos melhorou a memória para níveis equivalentes aos de animais jovens, sugerindo potenciais aplicações clínicas futuras.

A equipa internacional de investigadores publicou um estudo na revista Nature que aponta uma ligação entre o sistema digestivo e a memória. A experiência, realizada com ratos, sugere que a inflamação gastrointestinal pode contribuir para défices cognitivos e declínio da memória.

Segundo os autores, o processo ocorre em três etapas: envelhecimento do intestino, alterações microbianas e mudanças metabólicas subsequentes. Células mieloides no intestino ativam uma resposta inflamatória que afeta a comunicação com o cérebro via nervo vago.

A pesquisa revela que restauração da atividade do nervo vago reverte parte do declínio cognitivo em ratos velhos, elevando a função de memória para níveis próximos dos animais jovens. A estimulação do nervo vago já é usada para epilepsia em humanos.

Contexto e método

Para testar a hipótese, ratos jovens (2 meses) conviveram com ratos velhos (18 meses). A partilha de espaço levou à troca de microbiota entre os grupos, com jovens adquirindo traços das casas mais velhas.

Ao final de um mês, verificou-se que jovens com microbiota envelhecida mostraram pior desempenho em tarefas de memória e em testes de labirinto, à semelhança dos velhos.

Resultados e implicações

Quando a microbiota envelhecida foi eliminada com antibióticos, o desempenho cognitivo voltou a níveis da juventude. Ratos livres de germes apresentaram declínio mais lento, sugerindo um componente específico do microbioma.

Os investigadores apontam a bactéria Parabacteroides goldsteinii como potencial impulsionador do envelhecimento cerebral, aumentando inflamação e prejudicando o nervo vago. Colonização com a espécie acelerou défices.

Por fim, a equipa mostrou que ativar o nervo vago em ratos velhos reverteu parcialmente o declínio, aproximando o desempenho dos animais mais velhos ao dos mais novos. Os resultados abrem caminhos para futuras terapias.

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