- Collien Fernandes, atriz luso-descendente de 44 anos, alega que o ex-marido, o ator Christian Ulmen, criou perfis falsos em seu nome para divulgar vídeos pornográficos gerados por Inteligência Artificial e oferecê-los a outros homens.
- A queixa foi apresentada a 21 de novembro de 2024 em Berlim; segundo Fernandes, o caso foi encaminhado entre distritos e arquivado em junho por falta de pistas, sem identificar o autor.
- O caso gerou manifestações de apoio em várias cidades alemãs, com milhares de pessoas a exigir medidas mais eficazes contra o abuso online.
- Os advogados de Ulmen negam as acusações, dizendo que ele nunca produziu nem distribuiu deepfakes da atriz ou de qualquer outra pessoa.
- Fernandes relata receber ameaças de morte e continua a participar em manifestações, dizendo que o abuso digital pode ser perigoso e que temia pela sua segurança.
Collien Fernandes, atriz e apresentadora luso-descendente, acusa o ex-marido de ter divulgado vídeos pornográficos gerados por Inteligência Artificial. A notícia ganhou contornos de caso público na Alemanha, envolvendo acusações de deepfakes cometidas ao longo de anos.
Segundo a atriz, o ex-marido, Christian Ulmen, criou perfis falsos com o seu nome para partilhar conteúdos abusivos, incluindo imagens falsas. Fernandes afirma ter sido vítima durante mais de uma década e procurou o responsável em várias ocasiões, sem resultado, antes de tornar o caso público.
O incidente veio a público no final de março e gerou manifestações de apoio por várias cidades alemãs, designadamente Berlim, Frankfurt e Hamburgo. Fernandes denuncia uma falha na proteção das vítimas contra abusos digitais e apela a medidas legais mais eficazes.
Contexto e desenvolvimento
Fernandes revelou ter apresentado uma queixa em Berlim a 21 de novembro de 2024, com documentos e dados de contacto fornecidos às autoridades. Foi-lhe depois informado que o caso tinha sido encaminhado para Schleswig-Holstein e, mais tarde, para Itzehoe, sem novas informações.
De acordo com a imprensa, a queixa terá sido arquivada em junho, por falta de pistas que permitissem identificar o autor. A atriz relatou que, na entrevista com uma revista, reconheceu que era o marido quem estava por trás dos perfis falsos e dos deepfakes.
O caso ganhou ainda uma dimensão internacional, com a possível apresentação de queixas adicionais em Palma de Mallorca, onde o casal residia, já divorciado. Advogados de Ulmen contestam as acusações, afirmando que o ator nunca produziu nem disseminou vídeos deepfake.
Repercussão pública e política
Manifestantes iniciaram ações de protesto em várias cidades, exigindo proteção para as vítimas de abuso digital. A situação tem sido acompanhada pela imprensa alemã, com destaque para a resposta institucional e para as medidas de combate a abusos online.
O governo encarou a discussão com tom de cautela, mas gerou controvérsia ao abordar a violência na sociedade. Associações feministas reiteraram a necessidade de respostas mais firmes para crimes digitais envolvendo perfis falsos.
A atriz continua a receber apoio público, apesar de enfrentar ameaças de morte associadas ao caso. Fernandes mantém a participação em ações de condenação aos deepfakes, enquanto tenta assegurar a sua segurança física.
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