- O acordo-quadro assinado em Washington entre Líbano, Israel e Estados Unidos prevê a transferência gradual do controlo de duas zonas piloto para o exército libanês.
- As zonas situam-se sul e norte do rio Litani, a cerca de 30 quilómetros da fronteira com Israel, devendo expandir-se até que as forças estatais controlem todas as áreas afetadas, permitindo o regresso dos civis.
- O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que a retirada israelita será limitada e que o exército permanecerá no sul do Líbano até desarmar o Hezbollah.
- Um dos pontos-chave é o desarmamento verificado de grupos armados não estatais, incluindo o Hezbollah, o que tem sido alvo de críticas por parte do movimento.
- Após o anúncio, apoiantes do Hezbollah manifestaram-se em Beirute; as hostilidades na frente libanesa diminuíram desde meados de junho, beneficiando-se de acordos entre EUA e Irão.
O acordo-quadro assinado em Washington entre Israel, Líbano e Estados Unidos prevê a transferência gradual do controlo de duas zonas‑piloto para o exército libanês. O objetivo é expandir o controlo estatal até abranger todas as áreas afetadas e permitir, no futuro, o regresso de civis. O documento foi assinado na sexta-feira.
As zonas‑piloto ficam a sul e a norte do rio Litani, a cerca de 30 quilómetros da fronteira com Israel. A retirada israelita deverá ser limitada, mantendo tropas no sul do Líbano até ao desarmamento do Hezbollah, movimento xiita pró‑Irão, segundo declarações de autoridades israelitas.
O acordo envolve a mediação dos Estados Unidos. O secretário de Estado norte‑americano, Marco Rubio, afirmou que o tratado estabelece bases para uma estrutura de paz e segurança duradouras. O Presidente libanês, Joseph Aoun, considerou o pacto como passo inicial para recuperar soberania sem ocupação estrangeira.
Do lado libanês, Hassan Fadlallah, deputado do Hezbollah, alertou para o risco de ter consequências em caso de implementação pelas autoridades locais, apontando para uma possível guerra civil. O Hezbollah opôs‑se às negociações desde o início.
Entre os pontos centrais está o desarmamento verificado de grupos armados não estatais e o desmantelamento das suas infraestruturas, incluindo o Hezbollah, que tem rejeitado as negociações. O acordo prevê ainda verificação do desarmamento como condição para progressão das zonas.
Após o anúncio, apoiantes do Hezbollah manifestaram‑se em Beirute, em zonas junto ao parlamento e numa via para o aeroporto, com bloqueio de estradas com pneus em chamas, de acordo com a agência libanesa.
Conflitos na frente libanesa foram retomados em março, com ataques do Hezbollah a Israel em apoio de Teerão. Israel respondeu com ataques aéreos e mobilização de tropas no sul do Líbano, levando a um número elevado de vítimas, segundo fontes locais.
A região manteve uma trégua incumprida desde 17 de abril, mas a diminuição dos confrontos ocorreu desde meados de junho, altura em que foi assinado um memorando entre Estados Unidos e Irão, incluindo uma exigência de cessar hostilidades no Líbano como parte do acordo.
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