- O fim das hostilidades entre os Estados Unidos e o Irão e a possível reabertura do estreito de Ormuz podem levar a uma descida acentuada dos combustíveis em Portugal já na próxima semana, segundo o vice‑presidente da ANAREC, João Freitas, que pediu também que o Governo reduza o desconto no ISP.
- O petróleo Brent caiu para menos de 80 dólares por barril, após a notícia de eventual alívio das sanções ao crude iraniano, segundo o Wall Street Journal, com alguns petroleiros iranianos já a atravessar o estreito.
- O fim do conflito pode trazer equilíbrio na concorrência entre as regiões da península ibérica; o Governo de Espanha pode deixar de apoiar o custo elevado até ao final de junho, o que pode reduzir a disparidade de preços no setor.
- Mesmo com a estabilização do petróleo, espera-se que os preços dos combustíveis demorem a regressar aos patamares anteriores ao conflito, devido a mudanças nas cadeias logísticas e ao aumento de seguros no transporte de crude e produtos refinados.
- A recuperação da produção no Golfo Pérsico está dependente de negociações, com a Agência Internacional de Energia a indicar que o corte de produção durante a guerra foi superior a 14 milhões de barris por dia, implicando impactos na procura mundial.
O fim das hostilidades entre os Estados Unidos e o Irão e a possível reabertura do estreito de Ormuz podem refletir-se nos preços dos combustíveis em Portugal já na próxima semana. O mercado reaccionou com queda do Brent, que na terça-feira caiu abaixo de 80 dólares por barril.
João Freitas, vice-presidente da ANAREC, afirmou ao JN que é expectável uma descida acentuada nos preços no curto prazo, desde que o Governo reduza o desconto no ISP. O alívio nos preços surge também da notícia de que Washington poderá aliviar sanções sobre o crude iraniano.
A cotação do petróleo ganhou impulso depois de a imprensa internacional reportar que parte do acordo de paz poderá facilitar a venda de crude iraniano. No Irão, três petroleiros e dois navios de carga teriam já atravessado o estreito.
Normalidade tardará no mercado ibérico
Freitas disse ainda que o fim do conflito deve trazer equilíbrio na concorrência entre Portugal e Espanha, com a provável redução de apoio governamental espanhol no final de junho. A disparidade de preços tem prejudicado as empresas do setor.
Apesar da estabilização do petróleo, o repósito de combustíveis pode demorar a regressar aos valores históricos anteriores ao conflito. O setor aponta para impactos no custo logístico e nos seguros de transporte de petróleo e produtos refinados.
A Agência Internacional de Energia indica que a produção de hidrocarbonetos no Golfo enfrenta retomadas lentas. A guerra chegou a suspender mais de 14 milhões de barris diários, cerca de 14% da procura mundial, segundo a IEA. Algumas retomações, como a do Iraque, podem ocorrer em menos de uma semana.
O setor já demonstra capacidade de adaptação a crises, afirmou Freitas. Em termos de comparação, o preço do petróleo durante a crise na Ucrânia atingiu valores muito superiores, revelando mecanismos de resposta mais céleres.
Trump e Netanyahu: apelo à contenção
Donald Trump pediu ao primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, que seja mais responsável nos seus ataques contra o Hezbollah. O presidente dos EUA criticou a duração do conflito e as baixas civis, sugerindo que a continuação pode abalar o processo de paz com o Irão.
Encontro na Suíça: assinatura do acordo
O Ministério dos Negócios Estrangeiros suíço confirmou que o acordo será assinado na sexta-feira no resort de Burgenstock, perto de Lucerna. O entendimento já terá sido firmado eletronicamente, segundo informações oficiais.
Pontos em aberto
O programa nuclear do Irão e o levantamento de sanções são questões a afinar nas negociações que devem arrancar esta semana, com a assinatura já prevista e um processo que pode prolongar-se por dois meses. O objetivo é concluir os termos do acordo final.
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