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Autarcas dos concelhos afetados pelos incêndios de 2017 temem nova desgraça

Autarcas de Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos e Pedrógão Grande temem repetição da tragédia de 2017, credível pela biomassa acumulada e falta de mão de obra

Populares tiveram de combater o fogo com as próprias mãos em 2017
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  • Autarcas de Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos e Pedrógão Grande temem uma desgraça idêntica diante de tempestades e da biomassa existente nas florestas, especialmente após a depressão Kristin e com a falta de mão de obra.
  • Em Pedrógão Grande, o presidente da Câmara aponta que não há tempo para remover toda a madeira e biomassa, mas já foi feita a desobstrução de caminhos florestais.
  • Em Figueiró dos Vinhos, o presidente destaca que há depósitos de lenha e resíduos na floresta, considerando o território como “barril de pólvora” para potenciais desassossegos.
  • Castanheira de Pera também revela preocupação semelhante, indicando que intervenções anteriores ajudaram, mas a situação reconfirma fragilidades no combate e no recurso humano.
  • Em 2017, o país registou quarenta e três mil hectares queimados, com sessenta e seis mortos em Pedrógão Grande e cinquenta em incêndios no Centro, totalizando cento e dezasseis vítimas. Além disso, a Estrada Nacional 236 registou dezenas de mortes num curto troço de cerca de quinhentos metros.

Os autarcas dos concelhos mais afetados pelos incêndios de 2017 — Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos e Pedrógão Grande — manifestam forte preocupação com o risco de uma tragédia idêntica, ante o comboio de tempestades que se aproxima do verão. O foco são as estruturas de floresta e a biomassa acumulada após as intempéries de janeiro.

João Marques, presidente da Câmara de Pedrógão Grande, alerta para a dificuldade de remover toda a madeira e biomassa originadas pela depressão Kristin, a 28 de janeiro. Diz que não há tempo suficiente para limpar tudo, e aponta para a escassez de mão de obra, apesar de já terem desobstruído caminhos florestais.

Em Figueiró dos Vinhos, o presidente Carlos Lopes partilha a mesma apreensão, referindo um depósito significativo de lenha e resíduos na floresta. Reforça a perspetiva de que o território está a precisar de resistência ao verão, com apoio de várias entidades para retomar o trabalho.

Castanheira de Pera também enfrenta a mesma linha de preocupação. António Henriques afirma que, onde houve intervenções, o mato foi substituído por floresta do chão, agravando o cenário pela falta de mão de obra antes da tempestade, situação que se intensificou.

Pormenores: 2017 registou a maior área ardida nos últimos 25 anos, com 539 921 hectares, sobretudo nos fogos de Pedrógão e no Centro. Houve 66 mortes em Pedrógão e 50 em outubro no Centro, segundo dados oficiais.

A Estrada Nacional 236, que liga Figueiró dos Vinhos a Castanheira de Pera, tem 19 km, mas um segmento de apenas 500 metros registou 47 óbitos, numa tragédia associada aos incêndios.

O incêndio de Pedrógão Grande começou às 14h43 de 17 de junho de 2017, junto a Escalos Fundeiros, com origem associada a descargas elétricas na rede de distribuição e a um raio. O fogo foi extinto quatro dias depois.

Onze pessoas, entre bombeiros, foram julgadas por homicídio por negligência na sequência de Pedrógão Grande, mas acabaram Absolvidas. No caso das burlas com fundos de reconstrução, 14 dos 28 arguidos foram condenados, com penas suspensas e sem cumprimento de cadeia.

Novo centro de coordenação: inaugurado na Figueira da Foz, o Centro de Coordenação Operacional da AFOCELCA visa reforçar a monitorização, coordenação e combate a incêndios rurais. A infraestrutura, nas instalações da CELBI, na Leirosa, suporta cerca de 500 operacionais nos períodos de maior risco e conta com a presença prevista do secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira.

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