O Digital News Report Portugal 2026, coordenado pelo OberCom, revela o papel crescente dos algoritmos no acesso à informação, acompanhado de uma desconfiança persistente por parte dos leitores. O estudo é o primeiro a medir a confiança em notícias fornecidas por assistentes conversacionais de IA.
Segundo os dados, apenas 24% dos inquiridos confiam nas notícias apresentadas por chatbots. Este valor coloca os chatbots numa posição intermédia, acima das redes sociais (21%), mas abaixo dos motores de busca tradicionais (40%).
O relatório, assinado por Miguel Paisana, Ana Pinto-Martinho e Gustavo Cardoso, indica que cerca de 7% dos internautas nacionais já utilizam IA para fins informativos. Contudo, o robô não substitui o jornalista; 43% fazem perguntas complementares sobre uma história lida noutro local.
> A IA surge, para já, como camada adicional de mediação, conveniência e esclarecimento, sublinham os autores. Outras utilizações comuns incluem avaliar fontes (27%), resumir textos longos (21%) e ficar a par das últimas notícias (24%).
Utilizadores e navegação
Os assistentes de IA tendem a manter os utilizadores no seu ecossistema. Apenas 33% dos leitores clicam em links para a fonte original, versus 51% nas pesquisas tradicionais na Internet.
Para confirmar factos, cerca de 33% dos inquiridos admitem sair da plataforma para verificar a veracidade das informações. A curiosidade não é o principal motor; é a validação de dados.
Dispositivos e preferências
Independentemente da tecnologia, o smartphone domina o quotidiano informativo em Portugal. 90% dos utilizadores de Internet acedem à rede pelo telemóvel, e 79% lêem notícias nesse dispositivo. O computador mantém uma presença estável, com 62%.
As Smart TVs também estão presentes na rotina de mais de metade dos inquiridos, evidenciando uma diversidade de canais para aceder a informação.
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