- 93% das crianças em Portugal estão expostas à poluição do ar.
- Um quarto vive sob risco extremo acumulado de riscos climáticos.
- Todas as crianças (1.631.649) estão expostas a tempestades, com cerca de 1,6 milhões expostas a pelo menos dois riscos.
- Exposição a seca (647.536), ondas de calor (469.240) e incêndios (474.265) afeta centenas de milhares de menores.
- 87,14% vivem em áreas com níveis de risco acima da média global; 27,02% estão em contextos de intensidade acumulada no extremo.
Portugal tem menos de uma criança imune aos riscos climáticos. Um relatório da Unicef aponta que 93% das crianças no país estão expostas à poluição do ar e mais de um quarto enfrenta exposição acumulada em níveis extremos. A investigação considera a crise climática uma crise de direitos da criança.
Cerca de dois terços das crianças já enfrentam pelo menos dois riscos ligados ao clima. O estudo de The Children’s Climate Risk Report indica que 1,6 milhões de menores vivem expostos a um perigo climático, e mais de um milhão a dois ou mais riscos simultâneos.
Entre os dados de Portugal, 647.536 crianças estão expostas à seca, 469.240 às ondas de calor e 474.265 a incêndios. A poluição atmosférica afeta mais de 1,5 milhões de jovens, correspondente a 93% desse grupo etário.
Além disso, toda a população infantil portuguesa (1.631.649 crianças) está exposta a tempestades. O relatório sublinha que 87,14% das crianças vivem em áreas com riscos acima da média global, e 27,02% em contextos de intensidade acumulada no patamar mais extremo.
Exposição a fogos intensos
O documento destaca que a exposição a incêndios é particularmente relevante em vários países, incluindo Portugal, junto de outros como Essuatíni, Guiné, Serra Leoa e Uruguai, onde o risco é desproporcionadamente alto.
Catherine Russell, directora executiva da Unicef, ressalta que é necessário investir na adaptação dos serviços essenciais, mas exige dados para identificar onde vivem as crianças mais expostas e vulneráveis.
O estudo assinala que o problema não é apenas a soma de ameaças, mas o modo como se cruzam e reforçam. A sobreposição de riscos agrava a dificuldade de recuperação das famílias e já aumenta desigualdades.
Impactos e perspetivas globais
A monitorização sugere que condições extremas, inundações e subida do nível do mar disparam impactos sobre habitação e meios de subsistência. Secas prolongadas também elevam poluição atmosférica, prejudicam colheitas e fomentam a desnutrição infantil.
Em nível global, quatro em cada cinco crianças enfrentam pelo menos um risco climático extremo anualmente. Cerca de 415 milhões vivem em zonas de vulnerabilidade hídrica elevada, com efeito sobre água, alimentação e serviços.
O relatório conclui que a crise climática é, simultaneamente, uma crise de direitos das crianças, afetando saúde, educação, nutrição, água, proteção social e participação social. A urgência da resposta é destacada pela Unicef.
Entre na conversa da comunidade