- O Banco de Portugal aumentou as previsões de investimento para 2026, de 3,8% para 4,5%, impulsionado pelo Sines Data Campus, com investimento total entre 8,5 e 10 mil milhões de euros.
- O projeto inclui compra de chips e equipamentos de última geração para um centro de dados de grande dimensão, com 12.600 processadores gráficos iniciais e, posteriormente, mais 66 mil chips Nvidia Rubin a partir de 2027, num investimento adicional de 695 milhões de euros pela Nscale.
- A CALB formalizou um investimento de 2.067 milhões de euros para construir uma fábrica de baterias de lítio em Sines.
- As importações associadas ao investimento devem crescer 3,7% em 2026, face a 1,9% previamente previsto, contribuindo para uma balança externa passando de positivo de 0,6% do PIB para negativo de 0,2% do PIB este ano.
- O impacto no PIB permanece nulo neste momento, pois o aumento do investimento compensa o aumento das importações; o efeito positivo deverá materializar-se no futuro quando a produção começar.
O Banco de Portugal reveste as previsões económicas, com especial foco no investimento e nas importações, após o início de um grande centro de dados em Sines. O projeto aumenta o peso do investimento previsto para 2026 e molda a balança externa. A explicação vem do dinamismo de Sines.
O Sines Data Campus, desenvolvido pela Start Campus, está na origem do ajuste. O investimento global do projeto situa-se entre 8,5 e 10 mil milhões de euros, suficiente para sustentar a infraestrutura de rede e energia necessárias. O centro é visto como motor de capacidade tecnológica.
Entre os equipamentos, destacam-se chips de última geração para treino de IA. A Nvidia lidera, com a instalação de 12.600 processadores gráficos, seguida por uma reserva adicional de 66 mil chips Nvidia Rubin a partir de 2027 pela Nscale.
Ao lado, a CALB, multinacional chinesa, fechou um investimento de 2,067 mil milhões de euros para uma fábrica de baterias de lítio em Sines. Este conjunto de investimentos intensifica as importações ligadas ao projeto.
O efeito agregado no PIB tem um equilíbrio entre o investimento e as importações. No primeiro trimestre, o aumento do investimento foi maior do que o impulso das importações, levando o Banco de Portugal a subir as previsões.
Como resultado, as previsões para o investimento em 2026 passaram de 3,8% para 4,5% de crescimento. O banco aponta o elevado nível de aquisição de equipamentos para o centro como principal fator.
Paralelamente, as importações previstas cresceram de 1,9% para 3,7% em 2026, refletindo o conteúdo importado necessário para o centro de dados. O saldo externo passou de positivo de 0,6% do PIB para negativo de 0,2%.
No entanto, o parque tecnológico não altera de imediato o PIB. O benefício ocorreu, e ocorrerá, quando a economia ampliar a produção de bens e serviços ligados ao projeto. O efeito positivo deverá manifestar-se no futuro.
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