Portugal acelera na electrificação automóvel, impulsionada pelo peso das empresas e por benefícios fiscais, mas enfrenta desafios súbitos na infraestrutura e na regulação que freiam as frotas privadas.
O Estudo Mobilidade 2026 da Ayvens mostra que 81% dos custos totais de utilização (TCO) das frotas são favoráveis às motorizações electrificadas. Em passageiros, 91% dos perfis com menor TCO são elétricos, com BEV como solução mais competitiva para 30.000 km/ano.
Em 2025, os BEV tiveram 23,2% de quota de mercado em Portugal, subindo 17% face a 2024. Cerca de 40% da oferta de veículos de passageiros é eléctrica, enquanto o diesel recuou 36% desde 2020.
As empresas detêm uma vantagem fiscal que torna o eléctrico competitivo, mesmo frente a modelos a gasóleo mais baratos. Os particulares enfrentam o custo inicial e dependem de incentivos que não cobrem plenamente essa diferença.
O renting lidera a electrificação em Portugal: é comum ver veículos elétricos a caminho de utilização corporativa, com serviços que incluem infra‑estrutura de carregamento e aconselhamento. Em 2025, o crescimento do BEV no renting desacelerou devido a modelos de segmento B mais acessíveis, previstos para 2026.
A infraestrutura de carregamento continua a ser a maior objeção. Portugal tem cerca de 24 veículos por carregador público, o dobro da média europeia. Estima-se que metade da população não possa carregar em casa por falta de condições.
Infra-estrutura
O mercado recorre à descentralização de carregamento, com empresas a instalar carregadores nas habitações dos colaboradores para segregar consumos profissionais e domésticos. A nova regulação facilita o público, mas prejudica o carregamento privado.
O setor procura soluções alternativas, ainda sem uma resposta clara para segregar consumo entre uso particular e empresarial. A evolução da autonomia e a redução de custos persistem como fatores positivos, desde que a rede de carregamento acompanhe.
No segmento de comerciais ligeiros, a vantagem fiscal existente para passageiros não se aplica, limitando a electrificação a entregas de última milha e a grandes empresas com metas de emissões. A adoção permanece mais contida.
Globalmente, Portugal copre o segundo grupo de países na adopção de eléctricos na UE, com performance acima da média europeia. O aumento do preço dos combustíveis e a normalização dos prazos de entrega ajudam a mover a aceitação, embora persista a necessidade de uma rede mais robusta.
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