- Quatro ministérios públicos europeus estão a investigar uma organização que, durante a guerra na antiga Jugoslávia, levava cidadãos abastados a Sarajevo para atuarem como atiradores furtivos, num turismo violento.
- Itália (Milão), Áustria, Bélgica e Bósnia e Herzegovina já têm inquéritos abertos; há possibilidade de processo na Suíça e uma interpelação no Parlamento Europeu.
- O livro de Ezio Gavazzeni, I cecchini del weekend, expõe como a rede recrutava clientes na Europa e noutros continentes, com partidas programadas a partir de Milão e trieste, e passagens por Belgrado e outros países.
- Os valores pagos variavam consoante o alvo, com vítimas como mulheres adultas e jovens, e os custos eram usados para sustentar vários elos do tráfico, entre eles empresas de segurança e subornos militares na região.
- O caso ganhou visibilidade décadas depois após reportagens e documentários, com autoridades a investigarem sobretudo a participação de civis ricos que viajaram para disparar sobre civis desarmados em Sarajevo e outras cidades em frente de guerra.
Europa abriu quatro inquéritos a uma organização que, durante a guerra na antiga Jugoslávia, recrutava cidadãos europeus para disparar sobre civis em Sarajevo, segundo Ezio Gavazzeni. O livro I cecchini del weekend detalha o fenómeno e o estado atual das investigações.
Entre Milão, Áustria, Bélgica e Bósnia e Herzegovina estão hoje em curso vários inquéritos sobre a rede, com possível abertura de processo na Suíça e uma interpelação no Parlamento Europeu. A investigação envolve clientes estrangeiros que pagavam altos montantes para participar nos safaris humanos.
O fluxo de viagens começava com partidas de Milão e outras cidades italianas, com passageiros a seguir para Trieste, Ancona ou Parma, para depois cruzarem a fronteira até à frente de Sarajevo. As viagens eram organizadas com ligações a empresas de segurança e operações de uma rede com base em Bélgica.
No terreno, recrutadores ex-militares contactavam potenciais atiradores em hotéis ou bares de baixa categoria, e estes eram encaminhados para campos de tiro ou clubes de caça antes de serem enviados para a frente de batalha. O custo variava conforme o perfil da vítima.
As vítimas eram civis desarmados, incluindo crianças e jovens mulheres, alvo de pagantes oriundos de várias nacionalidades, em especial italianos. Os montantes pagos, estimados em milhões de liras à época, alimentavam elos do tráfico entre empresas de segurança, acompanhantes e subornos militares nos Balcãs.
Investigações em curso
Os magistrados italianos de Milão já ouviram várias testemunhas e analisam documentos relativos à rede. O inquérito em curso envolve homicídio múltiplo agravado por motivos torpes, com o Município de Sarajevo como parte ofendida. A cooperação entre as autoridades europeias está a intensificar-se.
Perspectivas e próximos passos
A comissão Eurojust deverá reunir-se a 29 de junho para trocar informações entre os países envolvidos. O objetivo é consolidar pistas, cruzar depoimentos e avançar com ações judiciais coordenadas. Gavazzeni marca que o caso continua em aberto e que novas informações podem surgir.
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