O Sindicato Nacional do Ensino Superior (Snesup) denunciou que universidades e politécnicos operam com mais horas de trabalho do que reportam à agência de acreditação dos cursos. A denúncia foi feita nesta segunda-feira, à Lusa.
Segundo o Snesup, em maioria das instituições há cursos cuja capacidade pedagógica real excede a indicada para acreditação. Ou seja, docentes trabalham mais do que o que fica registrado.
O presidente do sindicato, José Moreira, afirma que existem casos em que docentes contratados a tempo parcial asseguram cargas lectivas equivalentes às de tempo inteiro. O trabalho não é remunerado nem reportado à A3ES.
A prática é descrita como uma sobrecarga invisível dos docentes. O Snesup sustenta que a A3ES utiliza dados de contratos para avaliar recursos docentes, o que ficaria comprometido pela divergência entre carga efectivamente leccionada e a reportada.
O sindicato reconhece que a avaliação não depende exclusivamente da A3ES, mas afirma que não há monitorização adequada quando há discrepâncias entre o que é leccionado e o que é divulgado.
Alega que várias instituições recorrem a docentes convidados para aumentar o ritmo de trabalho, com efeitos que, segundo o Snesup, distorcem rácios de qualidade e podem mascarar a necessidade de novas contratações.
Defendem a implementação de mecanismos de cruzamento de dados entre a carga lectiva efectiva e o vínculo contratual nos processos de acreditação, para assegurar correspondência entre o reportado e a realidade.
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