O administrador do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Alexander De Croo, afirmou à Euronews que a escalada no Médio Oriente já tem efeitos que vão além da região. Sem uma solução visível, há condições propensas a novos conflitos, disse à edição Europe Today.
Mesmo que a guerra terminasse hoje, as repercussões económicas podem empurrar populações para a pobreza. De Croo defendeu intervenções macroeconómicas internacionais, como apoios diretos e acesso facilitado a combustíveis, para evitar agravamento da pobreza e novos fluxos migratórios.
O relatório do PNUD alerta que a escalada pode colocar mais de 30 milhões de pessoas em risco de pobreza globalmente. O responsável sublinhou que as consequências estendem-se a regiões distantes, incluindo África Subsariana e pequenos Estados insulares do Pacífico.
Contexto económico e social
De Croo apontou que a normalização das rotas marítimas no estreito de Ormuz é uma prioridade inicial. Sem medidas, as economias podem sofrer impactos mais amplos, com consequências de longo prazo para países dependentes de energia.
O responsável destacou que, mesmo fora do Médio Oriente, a pobreza e a insegurança alimentar podem alimentar novos conflitos. A análise baseia-se num relatório recente do PNUD sobre impactos indiretos do conflito.
A conversa ocorreu num momento de rumores sobre uma nova ronda de negociações entre EUA e Irão. O Presidente dos EUA afirmou avanços próximos, com possível retomada de negociações em Islamabad.
Observação sobre o cessar-fogo no Líbano e Gaza
Foi referido um cessar-fogo de dez dias entre Israel e o Líbano, iniciado na noite de quinta-feira. O objetivo é favorecer negociações de paz mais duradouras. No Líbano, cerca de 1,2 milhões de pessoas foram deslocadas.
De Croo recordou que a recuperação de infraestrutura pública ficou comprometida pela violência. Hospitais e escolas enfrentam danos significativos e a arrecadação fiscal ficou reduzida.
O responsável reiterou a esperança de que o cessar-fogo seja efetivo e não apenas uma redução de confrontos. Organizações humanitárias em Gaza indicam ataques contínuos e aplicação de maior controlo militar na região.
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