Abdul Gafar Gulam chegou a Maputo esta quarta-feira, tendo sido extraditado de Portugal no âmbito de um megaprocesso de branqueamento de capitais, fraude fiscal e associação criminosa. O processo 3/GCCCOT/22, também conhecido como operação stop branqueamento, envolve 40 arguidos e 32 sociedades comerciais. A extradição foi solicitada pelas autoridades moçambicanas.
Segundo fonte ligada ao caso, Gulam foi localizado em Lisboa, onde permaneceu detido desde 2025 até à conclusão do pedido de extradição, autorizado pelo Tribunal da Relação de Lisboa. O empresário será presente quinta-feira perante o Juiz da Instrução Criminal, em Maputo, para o primeiro interrogatório judicial de arguido preso.
A investigação aponta para a criação de várias empresas de fachada por meio de testa de ferro, com contas abertas em bancos nacionais. As transacções envolvem dezenas de milhões de dólares, movimentações em diversas jurisdições estrangeiras e documentos simulados para justificar os pagamentos.
Outros arguidos
Hussen Gulam Mahomed, também envolvido no processo, permanece em prisão preventiva desde 31 de julho de 2025 e foi extraditado dos Emirados Árabes Unidos para Maputo nesse mês. O irmão de Mahomed, Norolamin Gulam, encontra-se nos Estados Unidos sob a suspeita de tráfico internacional de droga e é alegado no mesmo processo.
Entre 2019 e 2022, o grupo teria transferido para o estrangeiro cerca de 140 milhões de dólares, alegadamente para a compra de mercadorias que nunca desembarcaram em território moçambicano. A investigação sustenta que as empresas de fachada não exerciam atividade comercial, não tinham trabalhadores nem operações reais, prejudicando o Estado.
A acusação aponta ainda a utilização de termas de compromisso de intermediação bancária, faturas proformas e documentos aduaneiros falsos para justificar as transferências. A operação visou desvirar recursos para jurisdições como Portugal, Turquia, China, Hong Kong, Maurícias, Tailândia, Japão, Emirados Árabes Unidos e Malásia.
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