Durante o fim de semana, Donald Trump disse que pode alargar a guerra para incluir alvos fora de instalações militares e nucleares, mencionando novas áreas e grupos. O tema surge numa altura em que pairam dúvidas sobre Kharg, ilha iraniana no Golfo.
Kharg é a principal porta de exportação de petróleo do Irão, responsável por mais de 90% das suas vendas ao exterior, com destino sobretudo à China. A ilha é um ponto sensível por ficar relativamente próxima da costa e por possuir infraestruturas de carregamento.
Após ataques a instalações petrolíferas em Teerão e na região de Alborz, a possibilidade de atacar Kharg voltou a ganhar força entre analistas e decisores, num contexto de escalada militar entre Estados Unidos e Israel e o Irão.
Importância estratégica
Kharg destaca-se pelas suas tanques de armazenamento e pela zona de carregamento para superpetroleiros. A ilha está a cerca de 25 quilómetros da costa, com ligações diretas ao continente, o que facilita operações logísticas no Golfo.
A ilha tem capacidade de carga elevada, com histórico de receber grandes navios e de apoiar exportações de petróleo, gás liquefeito e adubos sulfurados, muitos dos quais destinados à China.
A sua posição facilita, em teoria, interrupções rápidas ao fluxo energético iraniano, caso se deseje pressionar Teerão. Especialistas indicam que o dano a Kharg poderia ter efeitos globais nos preços do petróleo.
Contexto económico e militar
Entre 2022 e 2025 o terminal de Kharg expandiu-se para suportar até 10 superpetroleiros em simultâneo. Em 2024, as exportações energéticas do Irão somaram cerca de 78 mil milhões de dólares.
As autoridades iranianas já avisaram que ataques às infraestruturas energéticas do Irão poderão provocar retaliação contra instalações no Golfo. O IRGC referiu ter capacidade para responder a continuações de agressões.
O fronteamento entre os EUA e Israel tem dividido operações entre o sul e as águas do Irão, com aviões israelitas numa frente ocidental e central e as forças norte-americanas no flanco sul. Kharg está incluída no recorte geográfico das ações.
Perspetivas de impacto
Analistas alertam para o risco de subida acentuada dos preços do petróleo se Kharg for alvo. Estima-se, por alguns estudos, que o custo por barril poderia subir consideravelmente, gerando uma crise global.
Especialistas afirmam que Washington tem evitado ações que destruam a base económica do Irão, temendo uma escalada que prejudique os mercados. A situação permanece estável apenas na retórica, com poucos ataques diretos à ilha até ao momento.
Oportunidade e incerteza
A ambiguidade sobre os planos dos EUA e de Israel torna Kharg uma peça-chave de pressão económica. Enquanto alguns defendem que atacar a ilha seria decisivo para pôr fim ao conflito, outros apontam para consequências graves nos mercados de energia.
A ilha continua, portanto, como uma possível “surpresa” estratégica nesta guerra, capaz de alterar o mapa energético mundial se atacada, ou servir de arma de persuasão sem recorrer a ações diretas.
Entre na conversa da comunidade