Bárbara Pereira perdeu a visão em momentos distintos: o olho esquerdo em 2004 e o direito em 2017, ambos por descolamento de retina. Reaprendeu a viver na escuridão e, em vez de se deixar parar, criou respostas para praticar desporto com orientação. Em 2019 nasceu o Projeto Sexto Sentido, no Porto, para correr com segurança com guias voluntários. O grupo começou com 10 pessoas e expandiu-se rapidamente.
O projeto cresceu a nível nacional, contando hoje com mais de 400 participantes entre atletas com deficiência visual e guias. Em 2022, entrou no Programa de Responsabilidade Social dos Heróis Betano, ganhando maior exposição e recursos. O Sexto Sentido opera em núcleos no Porto, Lisboa, Coimbra, Braga, Vila Real, Viseu e Aveiro.
Chegada à Madeira e planos de expansão
A iniciativa chegou à Madeira através da parceria com a ACAPO, que já apoia o núcleo da ilha desde 2022. Ana Andrade, coordenadora do núcleo da Madeira da ACAPO, destaca que o Sexto Sentido facilita exercício físico, socialização e convivência, ajudando a superar obstáculos no quotidiano. A Madeira recebe o projeto em meio a desafios de mobilidade e inclusão.
Ana Andrade nasceu cega, fruto de glaucoma congénito, e, ao longo da conversa com a equipa do Sexto Sentido, reforça a importância da descrição constante do ambiente para evitar acidentes. A irmã, Cláudia Andrade, também atua como guia atleta voluntária, enfatizando que correr vendada permite compreender a vulnerabilidade do outro.
Ricardo Ribeiro, marido de Bárbara e guia atleta, acompanha a transformação. Recorda o período anterior em que a família ficou sem respostas e viveu um luto, seguido de uma sensação de nova vida ao iniciar as corridas guiadas. O projeto fortaleceu a rede de apoio à volta de Bárbara e de quem a acompanhou.
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