A subida das temperaturas na Europa pode pôr em risco a saúde dos ciclistas de elite, segundo um estudo recente. A investigação analisa dados climáticos de mais de 50 edições do Tour de France para medir o stress térmico dos participantes. O trabalho conclui que os episódios de calor extremo têm aumentado ao longo dos anos.
O Tour de France, a maior prova de ciclismo, realiza-se anualmente desde 1903, com exceção de guerras. Em média, os atletas percorrem entre 3.300 e 3.500 quilómetros em 23 dias, com final tradicional na Avenida Champs-Élysées, em Paris. O estudo alerta para margens pequenas entre calor moderado e extremo.
A equipe de investigadores observa que Paris ultrapassou, em julho, o limiar de alto risco de calor em cinco ocasiões, quatro desde 2014. Outras cidades também registaram dias de calor extremo, ainda que nem sempre numa etapa do Tour, indica Ivana Cvijanovic, autora do estudo.
O documento sublinha que, com vagas de calor cada vez mais frequentes, é apenas uma questão de tempo até o Tour enfrentar um dia de stress térmico extremo que ponha à prova os protocolos de segurança atuais. A equipa também aponta que a energia do calor se mantém ao longo de parte do dia.
Riscos regionais
Ao comparar horários e locais entre 1974 e 2023, os investigadores identificam áreas com maior perigo de calor, como Toulouse, Pau e Bordéus, no sudoeste, e Nîmes e Perpignan, no sudeste. Paris e Lyon aparecem como zonas de risco crescente.
Desislava Petrova, do ISGLOBAL, recomenda cautela redobrada no planeamento de etapas nessas regiões, especialmente durante as horas mais quentes. A análise indica que as primeiras horas são mais seguras, com o pico de calor a ocorrer no fim da tarde.
Contexto e perspetivas
A investigação, publicada na Scientific Reports, insere-se num contexto de alterações climáticas que elevam a irregularidade meteorológica europeia. Dados indicam que o calor extremo duplicou ou multiplicou-se entre 2010 e 2024 face a 1961-1990.
Antes dos Jogos de Paris 2024, a NASA informou que as temperaturas na cidade subiram 3,1 °C desde 1924. O estudo reitera a necessidade de reavaliar quando e como se realizam eventos de elite para proteger atletas e público.
Autores do estudo defendem mais investigação para compreender o impacto do calor extremo no corpo humano, incluindo acesso a dados fisiológicos anonimizados para entender vulnerabilidades específicas de cada modalidade.
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