A produção de neve artificial continua a ganhar importância nos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026. Cerca de 1,6 milhões de metros cúbicos de neve técnica estão prontos para as provas, em locais como Bormio e Livigno, num contexto de alterações climáticas que desafiam a disponibilidade de neve natural.
Davide Cerato, especialista italiano na matéria, supervisor das operações de neve, acompanha a afinação dos percursos para esqui alpino, esqui de montanha, freestyle e snowboard. O seu papel é assegurar pistas estáveis, resistentes a várias descidas e treinos, conforme exigido pela Federação Internacional de Esqui e Snowboard.
Neve técnica e modernos reservatórios
Em Livigno, foi criada uma bacia com capacidade para cerca de 200 milhões de litros de água, integrada por mais de 50 canhões de neve para produzir cerca de 800 milhões de litros de neve em 300 horas. Em Bormio, um lago de 2.300 metros de altitude armazena 88 milhões de litros de água e foram instalados 75 canhões de neve.
A neve artificial permite controlar a qualidade e a dureza das pistas, assegurando condições consistentes para treino e competição. Embora exigente em termos de energia e água, o recurso torna-se indispensável quando as temperaturas elevadas comprometem a neve natural.
Perspetivas futuras e contexto climático
Especialistas alertam que o aquecimento global pode reduzir significativamente o número de locais aptos a receber Jogos de Inverno nas próximas décadas. Estima-se que apenas alguns locais mantenham neve suficiente sem produção artificial até 2050, com projeções ainda menos favoráveis para 2080.
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