Toto Wolff é o timoneiro que transformou a Mercedes-AMG Petronas F1 Team numa potência dominante. Em junho, a caminho de Nova Iorque após o Grande Prémio de Montreal, o CEO fala de liderança com cepticismo, mantendo o foco no coletivo e no objetivo de campeonatos.
A Mercedes soma oito títulos consecutivos no Mundial de Construtores e 131 vitórias, números históricos no desporto. Wolff prefere colocar a equipa acima de funções individuais, destacando que decisões finais podem recair sobre ele, desde que apoiadas por 2.000 colaboradores.
Segundo Wolff, a avaliação de novos membros começa pela personalidade e pelo carácter, não apenas pela competência técnica. O objetivo é evitar arrogância e construir uma cultura de alto desempenho que proteja e oriente a organização.
Nova parceria tecnológica
A equipa anunciou a venda de 15% da sua entidade proprietária a George Kurtz, CEO da CrowdStrike, antes do GP de Las Vegas de 2025. Kurtz, piloto e parceiro da Mercedes desde 2018, deverá dinamizar a inovação tecnológica e a expansão nos EUA.
Kurtz integra um comité estratégico junto de Ola Källenius e Sir Jim Ratcliffe, com foco em dados, desempenho e mobilidade. A parceria busca acelerar a presença da Mercedes no ecossistema norte-americano e global, combinando corridas e cibersegurança.
A evolução financeira é evidente: a Mercedes registou lucro operativo de 2024 de cerca de 172 milhões de euros. Em 2014, a equipa iniciou uma sequência de títulos quase ininterrupta, consolidando uma base de valor de mercado elevada no desporto automóvel.
O investimento estratégico ocorre numa altura de crescimento da Fórmula 1, com entradas previstas de Cadillac e Audi. O ambiente competitivo aproxima-se de novos equipamentos, com custos regulados em 135 milhões de dólares por temporada e potenciais aumentos.
Wolff tem insistido num foco exclusivo na Fórmula 1, encerrando envolvimentos paralelos como vela na America’s Cup. O objetivo é consolidar competências centrais, potenciar a rede tecnológica e preparar a Mercedes para o próximo ciclo regulatório em 2026.
A filosofia pública de Wolff é de gestão de risco calculado, com o foco na sustentabilidade familiar e na minimização de impactos negativos. Esta abordagem está ligada a uma trajetória que o levou a adquirir participação na Mercedes após ter passado pela Williams.
George Russell, piloto da equipa, reconhece a aposta em juventude e na promoção de novos talentos. A estratégia de equilíbrio entre experiência e renovação é vista como essencial para enfrentar mudanças de regulamento e manter a competitividade.
Olhando para 2026, a Mercedes encara os desafios de combustíveis sustentáveis e motores híbridos, vendo neles oportunidades de inovação. A direção afirma que o laboratório tecnológico da F1 continua a ser uma referência para a indústria automóvel.
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