- A Espanha enfrenta uma cúpula de calor que transforma maio em agosto, com temperaturas até 15 ºC acima do normal em algumas zonas; Badajoz atingiu 38 ºC em maio e Santander registou recordes, num episódio que se estende por toda a península e parte da Europa.
- O calor deve-se a uma dorsal anticiclónica que retém ar quente vindo do Norte de África, dificultando a renovação do ar e comprimindo-o, o que agrava as temperaturas.
- Nas previsões, o vale do Ebro, sudoeste e norte peninsular registam máximas entre 37 e 39 ºC, com Madrid a chegar a 36 ºC, Sevilha a 38 ºC e Lleida e Saragoça a 39 ºC na sexta-feira; uma trégua pode chegar apenas no fim de semana.
- As noites permanecem tropicais em várias províncias, dificultando o descanso e aumentando o risco para a saúde, sobretudo de idosos e doentes crónicos.
- A Europa também está em alerta: Reino Unido registou 34,8 ºC em Kew Gardens, França pode atingir 39 ºC; houve mortes associadas a atividades físicas na França, e as previsões indicam valores históricos para o período.
O calor extremo transformou maio em agosto na Península Ibérica, com uma cúpula anticiclónica a manter ar quente vinda do norte de África sobre a Europa Ocidental. Em Espanha, as temperaturas têm subido desde 19 de maio, atingindo valores típicos de verão.
Este fenómeno é explicado por uma dorsal anticiclónica que atua como uma tampa de ar, comprimindo-o e aquecendo-o. A anomalia chega a superar 15ºC face aos valores normais para esta época do ano, antecipando o verão em dois meses.
Dados da AEMET indicam que o aeroporto de Santander já registou seis dias acima dos 30ºC antes de junho, número semelhante a apenas dois registos em 1954. Em Badajoz, o aeroporto bateu 38ºC pela primeira vez em maio, segundo registos de 71 anos.
A incidência não é confinada a uma área: o sudoeste, o norte cantábrico, o vale do Ebro e grande parte da Europa ocidental estão a enfrentar temperaturas altas incomuns para a época.
Europa em alerta
Em Espanha, algumas regiões registam máximas entre 37 e 39ºC, com a perspetiva de 40ºC em pontos do sul na segunda metade da semana. Cidades como Badajoz, Sevilha, Córdoba, Jaén, Toledo e Saragoça destacam-se entre as mais afetadas.
O vale do Ebro reforça a sua reputação de forno da Península, enquanto o norte do país enfrenta recordes. Bilbau aproxima-se de temperaturas elevadas para maio; Cantábria, Astúrias e a Galiza também marcam valores elevados para o mês.
Perspectivas e impactos
As previsões apontam queda ligeira no extremo noroeste, mas reforço do calor a leste, com Madrid a poder atingir 36ºC, Sevilha 38ºC e Lleida e Saragoça até 39ºC. A permanência de noites tropicais preocupa especialistas, com mínimas acima de 20ºC em várias províncias.
Os médicos alertam que o stress térmico se acumula durante o sono quando as noites não aliviam o corpo, atingindo populações mais vulneráveis como idosos e doentes crónicos.
Repercussões na saúde pública
O desconforto é acompanhado por riscos à saúde pública, especialmente para quem não consegue recuperar o corpo durante o descanso noturno. O conjunto de dados indicia efeitos continuados, não apenas picos diurnos.
Em França, a situação é marcada por alertas laranja em departamentos do oeste devido ao calor, com temperaturas noutras zonas a aproximarem-se de 39ºC. No Reino Unido, fortes recordes de maio surgem com 34,8ºC em Londres, seguidos de 35,1ºC no dia seguinte.
As condições climáticas atuais são associadas a uma tendência de aquecimento global, com temperaturas entre 12ºC e 16ºC acima das normas de longo prazo, segundo os meteorologistas. A monitorização continua para avaliar o evoluir da vaga de calor na Europa.
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