- Investigadores desenvolveram plantas que brilham e mudam de cor quando infectadas por vírus, usando bioluminescência semelhante à dos fungos.
- Plantas de tabaco transgénicas (Nicotiana benthamiana) emitem luz amarela saudável que passa a verde na presença de vírus, permitindo detecção com câmaras comuns.
- O estudo, publicado na Nature Communications, foi realizado pelo Instituto de Biologia Molecular e Celular de Plantas (IBMCP) e parceiros em Valência.
- O sistema permite vigilância precoce em estufas e culturas, com plantas-sentinela entre culturas para detectar surtos antes de surgirem sintomas.
- A longo prazo, pode ser adaptado a outros vírus e patógenos, contribuindo para monitorização em contextos de alterações climáticas.
O contrafactual bioluminescente desenvolvido por um grupo de investigadores permite que plantas brilhem e mudem de cor quando são infectadas por um vírus. O método usa bioluminescência fúngica para monitorizar a saúde de culturas agrícolas, com detecção precoce de infeções.
Publicado na Nature Communications, o estudo é conduzido pelo Instituto de Biologia Molecular e Celular de Plantas (IBMCP), criado pelo CSIC e pela Universitat Politècnica de València. Participam ainda o Centro Margarita Salas de Investigação Biológica e a Unidade Central de Investigação em Medicina da Universidade de Valência.
Os cientistas programaram plantas de tabaco transgénicas para emitir uma luz amarela contínua quando saudáveis. Em presença de vírus, a emissão transforma-se em verde, visível com câmaras comuns. O objetivo é detectar infecções antes de surgirem sintomas.
A equipa validou o sistema em Nicotiana benthamiana, uma planta-modelo amplamente utilizada na investigação. O detector biológico pode monitorizar pragas e doenças em estufas, com a colocação de plantas-sentinela entre culturas.
O método baseia-se num sistema bioluminescente inspirado no metabolismo de fungos. Quatro enzimas convertem ácido cafeico numa molécula que, oxidada, emite luz verde constante. A mudança de cor sinaliza infeção viral.
Aplicações e perspetivas
A técnica permite vigilância precoce em ambientes controlados, reduzindo perdas agrícolas. A longo prazo, pode adaptar-se a outros vírus e, eventualmente, a bactérias ou fungos com enzimas similares, reforçando a resposta a patogénios emergentes.
Entre na conversa da comunidade