- Dados de 2025 da Eurostat indicam que falta de competências técnicas, preocupações com privacidade dos dados e incerteza jurídica são os principais obstáculos ao uso de IA pelas empresas da UE, apesar de reconhecerem o potencial da tecnologia.
- Entre as PME (50 a 249 trabalhadores) a falta de competências técnicas aparece em 10,51%, já entre as grandes empresas (acima de 250) em 10,32%.
- Preocupações com privacidade e proteção de dados estão presentes: 7,95% das PME e 9,31% das grandes empresas, com as incertezas legais a afetarem 7,51% e 8,12%, respetivamente.
- A maioria vê utilidade da IA, com apenas 2,09% das PME e 1,55% das grandes a considerar as ferramentas não úteis para o negócio.
- Outras razões incluem custos (5,67% das PME), questões técnicas de compatibilidade (6,38% das PME; valores semelhantes entre países), dados insuficientes (6,51%) e considerações éticas (3,45%).
A Eurostat revelou, em dados de 2025, que a falta de competências técnicas, as preocupações com a privacidade de dados e a incerteza jurídica continuam a limitar a adoção de ferramentas de IA pelas empresas na UE. Apesar disso, cresce o reconhecimento do potencial da IA para a competitividade e produtividade.
O bloco comunitário procura simplificar regras de IA e proteção de dados para reduzir carga administrativa e evitar sobreposições regulatórias. O debate ganha importância com iniciativas como o AI Omnibus e o Digital Omnibus, além de negociações para o próximo orçamento 2028-2032.
A importância dos dados da sondagem está em mostrar perspetivas distintas entre empresas de diferentes portes. Enquanto algumas organizações veem utilidade na IA, outras mantêm reservas em áreas-chave como competências técnicas e conformidade legal.
Falta de competências técnicas e preocupações com a conformidade
Entre PME (50-249 trabalhadores) as principais barreiras são a insuficiência de competências técnicas (10,51%) e receios de violações de privacidade (7,95%). Entre grandes empresas (>250), 10,32% citam a falta de competências e 9,31% a privacidade dos dados.
A incerteza sobre consequências legais também preocupa, com 7,51% das PME e 8,12% das grandes a apontarem a clareza jurídica como falha. Em conjunto, apenas 2,09% (PME) e 1,55% (grandes) consideram a IA inútil para o negócio.
Para as PME portuguesas, o custo aparece como razão relevante (9,56%), sendo o principal motivo em parte dos países. Dinamarca, Alemanha e Finlândia registam, respetivamente, 15,44%, 14,63% e 13,99% a citarem falta de competências.
Questões técnicas e disponibilidade de dados
Quase 6,38% das PME referem dificuldades técnicas, como incompatibilidade com equipamentos ou software existentes. Finlandeses (11,82%), malteses (9,44%) e alemãs (9,42%) destacam-se nesse aspeto.
A falta de dados necessários para treinar modelos é citada por 6,51% da UE, com Finlandos (10,31%) e alemães (9,12%) entre os mais críticos. A privacidade e a incerteza jurídica aparecem, de novo, como barreiras.
Não obstante, a maioria das empresas reconhece potencial da IA para negócios, com apenas 2,09% das PME e 1,55% das grandes a considerarem as ferramentas inúteis.
Grandes empresas e o peso das motivações
Entre as maiores empresas, 5,51% indicam custos como principal razão para não usar IA, enquanto 10,32% destacam a falta de competências. A incompatibilidade com sistemas (6,02%) e a qualidade dos dados (6,94%) completam o quadro.
Receios de privacidade aparecem em 9,31% das grandes, contra 8,12% pela incerteza jurídica. Ética é citada por apenas 3,36% e apenas 1,55% consideram a IA não útil para a atividade.
O conjunto de dados sugere que, embora haja percepção de utilidade, é necessário avançar em competências, dados de qualidade e clareza regulatória para facilitar adoção generalizada na UE.
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