- Estudo da ONU Mulheres, em parceria com a City, University of London e TheNerve, ouviu 640 mulheres em 119 países no final de 2025.
- Abusos online potenciados por inteligência artificial, incluindo deepfakes e o que os investigadores designam por “violação virtual”, estão a afastar mulheres da vida pública.
- 27% receberam avanços sexuais não solicitados; 12% tiveram fotografias pessoais partilhadas sem consentimento; 6% foram alvo de deepfakes.
- Mais de 40% autoliminaram-se nas redes sociais para evitar abusos e 19% recuaram em intervenções no contexto profissional.
- Denúncias ocorreram em 25% dos casos, mas apenas 15% das forças policiais avançaram com ações legais.
A ONU Mulheres divulgou um relatório que evidencia abusos potenciados pela inteligência artificial que afastam mulheres da vida pública. O estudo analisa casos entre jornalistas, ativistas e defensores dos direitos humanos, com base em dados de 119 países.
Foram inquiridas mais de 640 mulheres expostas publicamente no final de 2025. Os resultados mostram que 27% receberam avanços sexuais não solicitados ou imagens íntimas partilhadas sem consentimento, e 12% tiveram fotografias pessoais partilhadas sem autorização. Além disso, 6% foram alvo de deepfakes.
A investigação aponta que os ataques são, com frequência, coordenados e visam silenciar mulheres e minar a credibilidade profissional. Ferramentas de deepfake emergem como um dos instrumentos mais usados para produzir conteúdos não consensuais de teor sexual.
Mais de 40% das entrevistadas disseram ter autocensura nas redes sociais para evitar abusos, enquanto 19% recuaram em intervenções profissionais. O estudo registra ainda impactos psicológicos relevantes, com 25% a sofrer de ansiedade ou depressão e 13% com potencial perturbação de stress pós-traumático.
Contexto e impactos
As conclusões destacam falhas nas respostas institucionais: apenas 25% dos casos foram comunicados, e em 15% houve ação legal por parte das autoridades. Um quarto das participantes que contactaram a polícia sentiu culpa ou questionamentos sobre a provocação da violência.
A responsável pelo estudo, Julie Posetti, afirma que a violação virtual facilita ataques com apenas um clique, acelerando danos e impactos na vida pública das mulheres. O relatório também sublinha a necessidade de avanços políticos para regular grandes plataformas tecnológicas.
Pauline Renaud, coautora do estudo, ressalta a urgência de formação e sensibilização para forças de segurança e sistemas judiciários. A pesquisadora também defende um quadro regulatório mais claro para as empresas tecnológicas que melhorariam a proteção de vítimas.
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