- Em Portugal, cerca de 335 mil pessoas utilizam regularmente apps de encontros, num setor que movimenta cerca de 4,6 milhões de euros por ano.
- As situações mais comuns incluem mensagens sexualmente explícitas não solicitadas, perseguição digital, chantagem com imagens íntimas e burlas românticas que podem chegar a pedidos de dinheiro.
- Em dois mil e vinte e quatro, a Linha Internet Segura registou 681 casos, com burla romântica no topo dos métodos usados e a maioria das vítimas sendo mulheres; em dois mil e vinte e cinco houve aumentos de 44% nas burlas e 90% em extorção.
- Quem estiver nessa situação deve guardar provas (capturas de écran, mensagens, dados do perfil) e denunciar via app ou à Linha Internet Segura (número gratuito 800 21 90 90); em encontros presenciais, manter locais públicos e partilhar planos com alguém de confiança.
- Embora as plataformas tenham mecanismos de denúncia, estes são muitas vezes difíceis de encontrar ou responder; o Digital Services Act obriga moderação eficaz, mas falta fiscalização real e maior pressão dos utilizadores para assegurar responsabilidade.
Do flirt ao assédio: o lado perigoso das apps de encontros em Portugal
As plataformas de encontros atraem milhões de utilizadores em Portugal, oferecendo ligações e descobertas. Contudo, também aparecem comportamentos abusivos que afetam um número significativo de pessoas.
Em Portugal, cerca de 335 mil pessoas usam regularmente estas apps, num setor que movimenta 4,6 milhões de euros por ano. A maior parte das interações é banal, mas há casos de assédio, chantagem e manipulação.
As situações mais comuns envolvem mensagens sexualmente explícitas não solicitadas, perseguição digital persistente e burlas românticas com pedido de dinheiro. Também surgem encontros presenciais que se tornam perigosos.
Em 2024, a Linha Internet Segura registou 681 atendimentos, com a burla romântica no topo, seguida de extorsão e invasão de privacidade. A maioria das vítimas eram mulheres (57%).
Em 2025, registaram-se aumentos: burla subiu 44% e extorsão 90% face a 2024. As burlas passam por construir uma relação falsa para criar urgência financeira.
A psicóloga Sara Malcato explica que o anonimato digital reduz inibições e facilita comportamentos que não ocorreriam presencialmente, gerando ansiedade e desvalorização.
Rui Sousa, CEO do Felizes.pt, afirma que nenhum match justifica intimidação ou chantagem. As plataformas devem ser espaços de respeito e confiança.
Crime ou não?
A lei portuguesa prevê extorsão, invasão de privacidade, stalking e burla. O problema é a falta de conhecimento jurídico por parte das vítimas, que tendem a apagar o ocorrido.
Quem sofre pode guardar capturas, mensagens e dados do perfil, e denunciar através da app, às autoridades ou à Linha Internet Segura (800 21 90 90). Bloquear sem denunciar não protege.
Para encontros presenciais, recomenda-se: locais públicos, partilha de planos com alguém de confiança e não fornecer dados pessoais prematuramente. O objetivo é reduzir riscos.
As apps de encontros apresentam mecanismos de denúncia, mas muitos utilizadores consideram-nos difíceis de encontrar ou lentos. O Digital Services Act (DSA) exige moderação eficaz e resposta a conteúdos ilegais.
O DSA torna obrigatório que plataformas atuem com mecanismos de moderação. Falta, ainda, uma fiscalização robusta e pressão de utilizadores para exigir responsabilidade.
Usar uma app de encontros implica aceitar alguma incerteza sobre o outro lado, mas não aceitação de assédio. A linha entre comportamento aceitável e ilegal está cada vez mais definida.
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