- Mulheres têm probabilidade 77% inferior de aceder a profissões nas novas tecnologias.
- Persistência de estereótipos e ambientes masculinizados e hostis às mulheres ajudam a afastá‑las das profissões tecnológicas.
- O diagnóstico é do relatório Igualdade de Género na Transformação Digital em Portugal: avanços e fragilidades das políticas públicas, do PlanAPP, ao qual o PÚBLICO teve acesso.
- Os autores defendem que as políticas públicas devem transformar as instituições e os processos que sustentam as desigualdades, em vez de se concentrarem apenas na “correcção das mulheres”.
- O relatório recomenda revisão curricular nas escolas para promover maior participação feminina nas áreas tecnológicas.
As mulheres têm uma probabilidade 77% menor de aceder a profissões ligadas às novas tecnologias, segundo um relatório do PlanAPP. O documento analisa a transformação digital em Portugal e aponta desafios persistentes na participação feminina.
O relatório explica que estereótipos enraizados e ambientes de trabalho fortemente masculinizados contribuem para a exclusão das mulheres das profissões tecnológicas. Dificuldades na entrada, progressão e reconhecimento profissional aparecem como barreiras relevantes.
Os autores destacam que as razões do afastamento não devem recair sobre as próprias pessoas, mas sim sobre um conjunto de fatores estruturais. O estudo recomenda mudanças profundas nas políticas públicas para alterar instituições e processos que alimentam as desigualdades.
Causas e Recomendações
O PlanAPP enfatiza a necessidade de revisão curricular nas escolas para interessar as raparigas pelas áreas tecnológicas, bem como a criação de ambientes de trabalho mais inclusivos. A ideia é reduzir obstáculos de entrada e melhorar o avanço de carreira das mulheres.
O relatório sustenta que políticas públicas devem abandonar a ideia de corrigir apenas comportamentos femininos. Em vez disso, propõe reformas institucionais que promovam igualdade de oportunidades em toda a cadeia da transformação digital.
Segundo o PlanAPP, as mudanças devem ser acompanhadas por dados e avaliações contínuas para medir progressos. O PÚBLICO teve acesso ao relatório, que reúne evidências sobre avanços e fragilidades das políticas públicas.
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