- No distrito de Leiria, várias aldeias continuam sem comunicações dois meses após a passagem da depressão Kristin, enquanto a fibra não chega.
- Em várias localidades, as pessoas recorrem a antenas antigas para conseguir sete canais de televisão através da televisão digital terrestre (TDT).
- Em Derreada Cimeira, Pedrógão Grande, Vítor Henriques repara um barracão afetado pela tempestade e voltou a ligar a antena para ter televisão, apesar de a fibra ainda não estar disponível.
- Em Carregal (Alvaiázere), Bárbara Rosa Silveira e outros residentes dependem da antena antiga e enviam informações por meio de familiares, devido à falta de internet.
- O coordenador da Estrutura de Missão para a Reconstrução afirmou que a reposição das telecomunicações continua atrasada, deixando várias aldeias sem internet estável e acessível.
Várias aldeias do distrito de Leiria continuam sem acesso a comunicações após a passagem da depressão Kristin. Dois meses depois, a fibra ainda não chegou, levando muitos a reinstalar velhas antenas para ver sete canais na televisão.
Na Derreada Cimeira, Pedrógão Grande, Vítor Henriques aproveita o bom tempo para reparar um barracão danificado pela tempestade, junto à casa sem telecomunicações há duas meses. O idoso de 63 anos recusa deitar fora a antiga antena.
Apesar de ter sete canais na TDT, Vítor lamenta a perda da diversidade da fibra, que permitia ver futebol ou filmes com a mulher. Aos olhos do casal, o tempo de deitar cedo acabou por substituição de hábitos.
Maria Tomás, esposa de Vítor, explica que o casal tem de deslocar-se a Pedrógão Grande para tratar de assuntos com internet ou candidaturas de apoio aos estragos. A falta de internet complica contactos e serviços.
Na localidade de Carregal, Alvaiázere, Bárbara Rosa Silveira, de 79 anos, recorre à antena recuperada pelo sobrinho, mas sente a distância da filha e netos no Canadá. A mulher está em tratamento e a internet faria diferença no dia a dia.
Ana Marques, proprietária do café em Carregal, conta que envia cerca de duas mil faturas por correio electrónico. Sem internet, os documentos vão por uma memória USB ao contabilista.
O marido de Bárbara, Fernando Marques, acrescenta que muitas antenas se perderam devido ao vento, agravando a situação de comunicação. Em toda a região, o recurso à antena antiga é comum.
Ainda no Carregal, Auzinda Lopes, de 53 anos, não tem antena nem fibra e afirma estar sem resposta. A aldeia permanece desprovida de soluções rápidas para o acesso digital.
Manuela Fernandes, de 46 anos, na Derreada Cimeira, revela que os dois meses sem televisão tornaram o dia a dia mais difícil, com a família a ouvir rádio à noite. A situação provoca momentos de incerteza.
Na Tojeira, Maria Amélia critica o serviço quando o tempo está mau, com falhas da televisão. O vizinho usa a antena do cunhado, mas continua a sentir saudades de ver jogos de futebol.
Vítor Henriques explica que a rádio tem sido a opção mais estável, apesar de toda a inconstância. A falta de fibra e de internet mantém as famílias dependentes de soluções antigas. A situação persiste no distrito.
Contexto e perspetivas
O coordenador da Estrutura de Missão para a Reconstrução reconheceu recentemente os atrasos na reposição das telecomunicações. O acompanhamento de perto das aldeias continua, em paralelo com a recuperação estrutural. Os técnicos tentam equilibrar custos, prazos e necessidades locais, enquanto a fibra não chega.
Entre na conversa da comunidade