- A prova final de Matemática do 9.º ano, realizada ontem em formato digital, circula na Internet apesar de ser secreta, com imagens e rascunhos publicados por um professor.
- Cerca de 97 mil alunos realizaram o exame, nos turnos das 9h30 e 12h.
- Daniel Rey, professor de Matemática, divulgou uma reconstrução do exame com base em mensagens, ilustrações e partilhas recebidas de alunos. Ele afirma que a reconstituição é fiel.
- O movimento de professores Missão Escola Pública (MEP) pede investigação do Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) e critica a circularidade do conteúdo que compromete a avaliação externa.
- O MECI ainda não confirmou a fidelidade do material que circula, e o caso levanta questões sobre a segurança e a credibilidade das provas digitais não públicas.
O Ministério da Educação, Ciência, e Inovação (MECI) está a lidar com novas fugas relacionadas com a prova final de Matemática do 9.º ano, realizada ontem em formato digital. Fotografias e print screens de folhas de prova e de rascunho circulam na Internet, originadas de diversas plataformas, incluindo redes sociais. Um professor de Matemática reconstituiu o exame com base nessas informações, enquanto o MECI ainda não confirmou quão fiel é o material divulgado.
O movimento de professores Missão Escola Pública (MEP) denuncia a circulação da prova que devia permanecer em sigilo. O exame decorreu em dois turnos, às 9h30 e às 12h, para perto de 97 mil alunos. Um dos denunciantes é um jovem que afirma ser professor de Matemática, o que levanta questões éticas sobre a responsabilização de quem tem a obrigação de educar.
Daniel Rey, docente conhecido por partilhar conteúdos educativos online, informou ao PÚBLICO que várias imagens do exame circularam ontem em plataformas como o TikTok, com milhares de interações. Rey afirma não ter partilhado fotografias do exame nem aconselha os alunos a o fazerem, para evitar riscos de anulação da prova que compõe a nota final.
O docente explica que alguns alunos conseguem tirar print screens com tablets em algumas escolas, enquanto noutros locais não é permitido utilizar folhas de rascunho. A circulação de rascunhos e de enunciados parece ter ocorrido devido a diferentes práticas de vigilância entre escolas, segundo relatos recolhidos por Rey. Ele considera a reconstituição fiel ao que foi observado em sala de aula.
O espaço público tem recebido contributos de alunos que enviam imagens, rascunhos e relatos sobre o exame. Rey diz ter utilizado esse material para montar uma versão que, segundo ele, corresponde ao exame real, descrevendo-a como fruto de colaboração estudantil. O professor argumenta que a divulgação não representa uma questão ética no seu entender, e sustenta que a prova não deveria ter ficado pública para permitir reapreciação de notas como direito.
A MEP aponta que o MECI deve apurar responsabilidades e critica a desvalorização de situações de fuga de informação, vinculando a possibilidade de fraude à avaliação externa ao processo de ensino. O movimento acrescenta que a digitalização pode comprometer o rigor e a credibilidade da avaliação, especialmente após os esforços de implementação do modelo digital.
O PÚBLICO já perguntou ao MECI se o exame que circula é fiel ao realizado, e solicitou comentários sobre as fugas de informação. Em 2025, ano de estreia das provas digitais, Daniel Rey também participou na divulgação de exercícios, mas o MECI comunicou na altura que o caráter não público visa reforçar a comparabilidade dos resultados para monitorizar a evolução das aprendizagens, entendendo que o incidente não invalida o conceito do modelo definido para aquele ano.
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