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Famílias de desaparecidos no México usam o Mundial para pedir socorro

Famílias de desaparecidos usam o Mundial para exigir visibilidade internacional e resposta do Estado, destacando a escala da crise no México durante o evento

Ativistas e familiares das mais de 134 mil pessoas desaparecidas no país colocam cartazes de desaparecidas na Cidade do México, sábado, 30 de maio de 2026
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  • Durante o Mundial de 2026, famílias de desaparecidos no México lançaram a campanha “Mundial pelos Desaparecidos” para chamar a atenção internacional para mais de 133 mil pessoas desaparecidas no país.
  • A iniciativa acontece no contexto de o México coorganizar o Mundial com os Estados Unidos e o Canadá, com foco em cidades como Monterrey, Guadalajara e Cidade do México.
  • Entre as ações, destacam-se jogos de rua chamados “cascaritas por las y los desaparecidos” e camisolas com palavras de ordem; há também uma “seleção mexicana” criada com inteligência artificial, formada por 21 pessoas desaparecidas.
  • Ativistas denunciam impunidade e a falta de planos de busca e investigação; organismos internacionais, incluindo o Comité das Nações Unidas, já destacaram indícios de desaparecimentos forçados que podem configurar crimes contra a humanidade.
  • O objetivo é que o Estado preste a devida atenção aos desaparecidos, usando a visibilidade do Mundial para sensibilizar a comunidade internacional.

A poucos dias de arrancar o Mundial de 2026, ativistas e famílias de pessoas desaparecidas no México transformam o evento numa plataforma de denúncia. O movimento Mundial pelos Desaparecidos envolve mais de 133 mil casos não resolvidos no país, segundo dados oficiais.

Entre os grupos está a FUNDENL, a organização que reúne familiares há mais de uma década na busca por entes queridos. A porta-voz Angélica Orozco descreve a iniciativa como uma resposta ao silêncio de longo prazo e aponta o Mundial como palco de visibilidade global.

A campanha começou a ganhar força em 10 de maio, com uma ofensiva multilingue que questiona onde estão as pessoas desaparecidas. O México coorganiza o Mundial com os EUA e o Canadá, e cidades como Monterrey, Guadalajara e Cidade do México recebem grande audiência internacional.

Estratégias de mobilização

Para chamar atenção, os organizadores recorrem a símbolos futebolísticos, incluindo jogos de rua chamados cascaritas por las y los desaparecidos, realizados nos bairros. Camisolas intervencionadas exibem mensagens de protesto e identificação de casos.

Uma figura marcante é a “seleção mexicana” criada com inteligência artificial, composta por 21 pessoas desaparecidas cujos rostos aparecem nas camisolas nacionais. A cada pessoa corresponde o último dia em que foi vista pela família.

Também perto do Estádio de Monterrey foram afixadas mais de 150 fichas com fotografias de desaparecidos, numa comparação entre a magnitude do evento e a crise que persiste no país.

Perspetivas e contexto

México enfrenta uma das maiores crises de desaparecimentos do mundo, com centenas de milhares de casos não resolvidos e alegações de impunidade. Grupos de defesa citam falhas em investigações e a permanência de profissionais envolvidos em cargos-chave.

Entidades internacionais já chamaram a atenção para a gravidade da situação, com recomendações reconhecidas pela ONU e a menção de fossas clandestinas e restos humanos não identificados em várias regiões.

Objetivo da iniciativa

Além de denunciar, o movimento pretende que autoridades tratem as pessoas desaparecidas com a mesma prioridade dada ao Mundial. A campanha argumenta que recursos são destinados à imagem internacional do país, enquanto a busca por nomes permanece aquém.

Em iniciativas públicas diversas, organização e comunidades continuam a pressionar por planos concretos de busca, investigação e melhoria do Registo Nacional de Pessoas Desaparecidas. A luta, dizem, continua para além dos relvados.

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