- Alunos de português levantam polémica no exame nacional após uma imagem de um manual de estudo ser igual a uma pergunta do exame, gerando acusações de desigualdade entre quem comprou o livro e quem não comprou.
- O cartum “trabalho infantil” do artista Takjoo, que mostra uma criança a coser num cavalo de madeira, foi objeto de análise crítica no exame; a mesma imagem tinha sido utilizada num manual de apoio este ano.
- O catedrático Carlos Ceia considera a situação inaceitável e pediu a anulação da pergunta, alegando que alguns alunos treinaram com o livro e outros não tiveram essa oportunidade.
- A Associação de Professores de Português (APP) descreveu a coincidência como infeliz, salientando que muitos professores poderiam ter utilizado a imagem; reforça o carácter confidencial do processo e que a autora do manual não é autora de provas.
- O Ministério da Educação, Ciência e Inovação disse que a elaboração do item ocorreu antes da publicação do manual de preparação para os exames de 2026, assegurando que nem a autora nem a editora tiveram acesso prévio ao conteúdo do exame; o cartoon já tinha visibilidade pública por participação em concurso internacional.
A polémica envolve a repetição de uma imagem de um manual de estudo num exame nacional de português. Professores e administrativos questionam a igualdade de condições entre alunos que compraram o livro de apoio e os que não o deteriam. O incidente tornou-se tema de debate público entre docentes e a tutela.
A questão central é a utilização de uma pergunta do exame que coincide com uma prova do manual de apoio para o mesmo ano. O docente Carlos Ceia, catedrático da Universidade Nova, afirma que a situação é absurda e injusta, pois favorece quem treinou com o manual. A pergunta pede uma análise crítica de um cartoon sobre trabalho infantil.
O cartoon, do artista iraniano Takjoo, mostra uma criança a costurar num cavalo de madeira com a legenda associada ao trabalho forçado. A mesma imagem foi apresentada no manual, embora a legenda diferente, e o exame exigia uma apreciação crítica da ilustração sem mencionar a legenda do manual.
A Associação de Professores de Português (APP) considera a coincidência infeliz, descrevendo-a como uma coincidência com pouca previsibilidade. A APP afirma que muitos livros são adquiridos pelos alunos e que um professor poderia ter utilizado a imagem, sem que haja intenção de favorecer alguém.
Em resposta, a organização que gere o exame confirmou que procede a auditorias por especialistas, garantindo o sigilo e o profissionalismo do processo. O comunicado admitiu a coincidência, esclarecendo que a autora do manual não é responsável pela avaliação externa nem funcionou como auditora.
Para o Ministério da Educação, Ciência e Inovação, a elaboração do item do exame já tinha ocorrido antes da publicação do manual de preparação da Leya para 2026. A tutela sustenta que nem a autora nem a editora tiveram acesso antecipado ao conteúdo do exame e que o cartoon já era reconhecido internacionalmente.
Carlos Ceia sustenta que há uma violação do princípio de confiança e exige a anulação da pergunta, alegando que houve vantagem indevida para alguns alunos que treinaram com o material de apoio. O docente também critica outros aspetos do exame, considerando-o desajustado e com falhas pedagógicas.
A posição oficial mantém que a avaliação externa permanece confidencial e que o incidente exige apuramento crítico, sem atribuir culpas públicas ou condenações sobre pessoas específicas. O caso continua a receber comentários de educadores e representantes sindicais.
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