Há quase 25 anos entro diariamente numa Câmara Municipal. Primeiro para aprender, depois para decidir e, sobretudo, para responder a problemas concretos de pessoas concretas. Aprendi que tratar todos por igual nem sempre é justo.
Portugal fala de coesão territorial e combate às assimetrias, mas há territórios diferentes que são tratados como se fossem iguais. Em áreas de baixa densidade, chegar às pessoas, manter estradas e oferecer serviços exige mais esforço e adaptabilidade.
A desigualdade não está apenas na distribuição de recursos, mas nos critérios de financiamento. O que parece igualdade de tratamento pode criar oportunidades desiguais, favorecendo quem já dispõe de escala e influência.
Desigualdades na distribuição de recursos
O que se apresenta como tratamento igual pode não assegurar oportunidades iguais. A medida uniforme não reflecte a diversidade do território e a realidade de quem vive em concelhos mais pequenos.
Quem governa estes territórios entende a necessidade de adaptar as respostas. A justiça, neste contexto, implica garantir que ninguém fica para trás, independentemente de viver no interior ou nos grandes centros.
Interior como parte da identidade nacional
O Interior não é periferia; é parte essencial da identidade de Portugal. Quando se fala de Interior, não se mede distância, mas a autenticidade das comunidades e a força das suas raízes.
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