Dezenas de familiares de presos políticos acampam desde quarta-feira junto ao El Helicoide, em Caracas, sede do Sebin, para denunciar transferências em massa de detidos para locais não especificados. A vigília ocorre após suspeitas de encerramento do centro, desmentidas por familiares e organizações de direitos humanos.
Segundo os denunciantes, as visitas foram suspensas quando começaram as transferências e não há informações oficiais sobre o destino dos detidos. As testemunhas dizem ter visto, a partir de uma colina nas imediações, viaturas transportando presos políticos.
As informações sobre o encerramento do Helicoide foram divulgadas pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, na terça-feira, o que motivou a resposta das famílias e de organizações da sociedade civil. Mesmo sem confirmação oficial, as transferências prosseguiram.
Videos difundidos nas redes sociais mostraram imagens de viaturas com detidos sendo conduzidos, com acenos de populares. Em paralelo, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Imprensa reportou a detenção temporária de uma jornalista e de dois operadores de câmara durante os protestos das famílias.
A Rede de Ex-presos pela Democracia (RED) afirmou que as transferências expõem o que consideram enganos sobre o tratamento de presos sob tutela norte-americana. O grupo pediu esclarecimentos sobre o paradeiro dos detidos e um mecanismo de comunicação entre familiares e reclusos, bem como um calendário de visitas.
A Organização Não Governamental Encontro, Justiça e Perdão (EJP) destacou que os movimentos de última hora geram dúvidas sobre a veracidade de denúncias de violações, reforçando a pressão internacional. A EJP reiterou o pedido pela libertação imediata dos 25 presos políticos ainda no Helicoide.
Contexto adicional aponta que, desde janeiro, houve discussões políticas sobre o destino do Helicoide. A presidente interina Delcy Rodríguez chegou a sugerir a transformação do espaço em centro social, após declarações de autoridades norte-americanas sobre encerramento de suposta “câmara de tortura”.
Estatísticas de organizações não governamentais indicam que há pelo menos 404 presos políticos na Venezuela, incluindo 39 estrangeiros, entre os quais cinco com cidadania portuguesa. As informações refletem o cenário de direitos humanos amplamente monitorado por organizações internacionais.
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