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Estudo revela exaustão recorde entre trabalhadores portugueses

Estudo aponta níveis recordes de exaustão entre trabalhadores em Portugal, destacando burnout como problema organizacional com impactos na saúde

Tristeza, cansaço exaustivo e desgaste emocional: o retrato dos trabalhadores em Portugal
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  • Um estudo nacional do Laboratório Português de Ambientes de Trabalho Saudáveis (LABPATS), com 5.549 profissionais, aponta níveis elevados de exaustão, burnout, solidão, perceção de injustiça e assédio no trabalho em Portugal, considerando o ano de 2025.
  • O burnout aparece de forma relevante: mais de 85% dos inquiridos tiveram pelo menos um sintoma, e 41% apresentaram quatro sintomas (exaustão física, exaustão emocional, irritabilidade e tristeza).
  • O assédio laboral é significativo: 38,3% dos entrevistados relataram ter sofrido assédio, que inclui ameaças, insultos, assédio sexual ou rejeição.
  • Casos de Rita e Maria, vítimas de ambientes tóxicos e jornadas exaustivas, ilustram impactos como ansiedade, perda de autoestima, noites sem dormir e, em alguns casos, necessidade de baixa médica.
  • O estudo ressalva que o problema não é apenas individual, mas organizacional e societal, enfatizando a necessidade de melhorar a conciliação entre vida pessoal e profissional e de fechar a distância entre a lei e a prática.

O Laboratório Português de Ambientes de Trabalho Saudáveis (LABPATS) divulga um estudo nacional que traça um retrato inquietante do ambiente laboral em Portugal. A investigação, que abrange 5549 profissionais de setores como saúde, educação, social, transportes, comércio e retalho, aponta níveis elevados de burnout, exaustão e assédio. O relatório, elaborado com base em dados de 2025, considera o bem‑estar dos trabalhadores uma questão organizacional e societal.

Conduzido pela psicóloga Tânia Gaspar, coordenadora do estudo, o inquérito revela que a maioria dos participantes já sofreu burnout. A análise sublinha um ecossistema laboral problemático, em que as praticas organizacionais agravam o desgaste psicológico dos colaboradores.

Casos de assédio laboral

Duas vítimas, com nomes fictícios, descreveram abusos verificados no passado em empresas distintas. Rita, de 39 anos, relatou humilhações públicas, controlo rígido de horários e pressões que a levaram a recorrer a terapia. Maria, de 50, descreveu uma reestruturação que a afastou da supervisão direta, com turnos longos, fins de semana de trabalho e cobrança constante.

Relatos apontam para episódios de assédio, insultos e pressão constante, que contribuíram para a deterioração da saúde mental e física. Em alguns casos, a vida pessoal ficou totalmente em segundo plano, com consequências que perduraram após a saída de circulação profissional.

O que o estudo revela sobre o burnout

A pesquisa aponta que 44,5% dos inquiridos se sentiram fisicamente exaustos nas últimas semanas. Além disso, 38,3% reportaram experiências de assédio laboral, incluindo ameaças, abuso verbal ou menosprezo. A combinação de excesso de trabalho, ritmos acelerados e controlo excessivo foi identificada como fator determinante de stress crónico.

Mais de 85% dos participantes relataram pelo menos um sintoma de burnout; 41% apresentaram quatro sinais, como exaustão física, exaustão emocional, irritabilidade e sofrimento emocional. A coordenadora sublinha que o burnout é um processo prolongado, não desaparece com um simples descanso e tende a ser confundido com cansaço normal.

Conciliação entre trabalho e vida pessoal

O estudo enfatiza a conciliação entre vida profissional e pessoal como condição essencial para saúde mental, produtividade e retenção de talento. Mesmo com avanços legais em Portugal, Gaspar aponta uma distância entre o que está na lei e a prática nas organizações. A percepção de que o equilíbrio é possível continua a depender, em muitos casos, da cultura organizacional.

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