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Quase 100 casos de violação por hora no Brasil revelam subnotificação

Atlas da Violência 2026 aponta que violência sexual pode chegar a 822 mil casos por ano; apenas 8,5% das vítimas procuram a polícia e 4,2% chegam aos serviços de saúde, subnotificação elevada

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  • O Brasil pode registar cerca de 822 mil casos de violação por ano, com 94 agressões sexuais por hora, devido à subnotificação.
  • Em 2024 foram oficialmente registados 87.545 casos de violação e violação de vulnerável, números reais superiores.
  • Apenas 8,5% das vítimas procuram a polícia e 4,2% dos episódios chegam aos sistemas de saúde; 86,9% das vítimas notificadas são meninas.
  • Entre 10 e 14 anos, a violação representa 45,5% de todas as violências sexuais; 3.642 mulheres foram assassinadas em 2024 (taxa de 3,4 por 100 mil).
  • No âmbito dos homicídios de mulheres, 35,2% ocorreram dentro de residências; o relatório aponta “homicídios ocultos” estimados em 4,4 por 100 mil mulheres, usando aprendizagem de máquina para corrigir classificações imprecisas.

O Brasil pode registar cerca de 822 mil casos de violação por ano, segundo o Atlas da Violência 2026, divulgado a 26 de maio. A estimativa aponta para 94 agressões sexuais por hora, devido à subnotificação.

Em 2024, foram oficialmente registados 87.545 casos de violação e violação de vulnerável. O relatório alerta que o universo real é muito maior, porque poucas vítimas procuram as autoridades ou recorrem aos serviços de saúde.

Apenas 8,5% das vítimas de violência sexual reportam à polícia e 4,2% dos episódios chegam aos serviços oficiais de saúde. Este cenário dificulta medir o problema e planejar políticas públicas.

A grande parte das vítimas notificadas no sistema de saúde são meninas, representando 86,9% do total. Na faixa entre 10 e 14 anos, a violação responde por 45,5% de todas as violências sexuais.

Os autores do estudo descrevem as estatísticas oficiais como apenas “a ponta de um iceberg” da violência contra o corpo feminino no país. O documento alerta para o aumento do machismo online.

De acordo com o Atlas, há um recrudescimento da cultura conhecida como red pill, que incentiva comportamentos abusivos e desvaloriza as mulheres. O texto recomenda literacia digital crítica e educação para a igualdade de género.

Violência contra a mulher

O relatório também traz dados sobre feminicídio. Em 2024, foram registadas 3.642 mortes de mulheres, equivalentes a 3,4 casos por 100 mil mulheres. Este valor representa queda de 6,7% face a 2023.

Entre 2014 e 2024, o volume absoluto de feminicídios chegou a 46.336, sublinha o estudo. Ainda em 2024, 35,2% dos feminicídios ocorreram dentro das residências.

A estimativa de homicídios de mulheres foi de 3,4 por 100 mil, mas a taxa pode chegar a 4,4 por 100 mil quando aplicadas técnicas de aprendizagem de máquina para identificar agressões intencionais classificadas incorretamente.

Implicações e metodologias

Os autores destacam que os dados oficiais dificultam a avaliação da dimensão real do problema. O estudo defende investimentos urgentes em educação para a igualdade de género e na prevenção desde a infância.

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