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Trauma das terapias de conversão: exorcismos, agressões e culpa revelam danos

Terapias de conversão são crime em Portugal desde 2024; petição com 17 mil assinaturas impulsiona o debate parlamentar e mantém vítimas em sofrimento

Miguel Salazar durante a entrevista à Agência Lusa, a 30 de Abril de 2026
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  • Em Portugal, as terapias de conversão são crime desde 2024, apesar de uma petição com cerca de 17 mil assinaturas pedir a revogação dessa lei.
  • A Lusa recolheu testemunhos de vítimas que, em contextos religiosos ou médicos, foram convidadas a “curar” a orientação sexual.
  • Casos apresentados incluem Pedro Lopes (bisexualidade anunciada a um padre) e Miguel Salazar, que passou por terapias na família e na igreja, acabando por se afastar do ambiente familiar.
  • Relatos indicam que essas práticas causaram trauma, agressões psicológicas e, em alguns casos, situações de violência doméstica ou expulsão de casa.
  • Organizações de psicologia e proteção às vítimas reiteram que tentativas de mudança da orientação sexual aumentam o sofrimento e destacam a ausência de registos de processos em tribunal em 2024, apesar de o debate parlamentar considerar descriminalizar as terapias.

O debate sobre terapias de conversão voltou a ganhar destaque em Portugal, onde estas práticas são crime desde 2024. A Lusa recolheu testemunhos de vítimas que relataram exorcismos, agressões e condutas coercivas associadas à tentativa de alterar a orientação sexual.

Relatos de jovens e familiares mostram pressão religiosa, manejo emocional e danos psicológicos duradouros. As histórias identificam políticas de silêncio, tentativas de reorganizar a identidade e episódios de violência associada ao preconceito. As testemunhas pedem proteção e responsabilização.

Contexto legal e enquadramento

A criminalização das terapias de conversão em Portugal tem motivação legal e de proteção de direitos. Uma petição com cerca de 17 mil assinaturas mantém o debate no parlamento, com propostas de revisão ou possível descriminalização em análise.

A Ordem dos Psicólogos destaca que as práticas não são terapias reconhecidas e podem agravar sofrimento emocional. Entidades de defesa dos direitos LGBT+ fazem notar que a ausência de queixas não exclui a existência de casos.

Vítimas e impactos

Pedro Lopes, que é visto como testemunho, descreve resistência a abordagens papais para manter a orientação. Miguel Salazar recorda infância marcada por conservadorismo religioso e episódios de agressões quando recusou a mudança de orientação. Ambos descrevem sofrimento e trauma duradouro.

Maria, mulher trans, relata exorcismos e sessões coercivas com foco na destransuição da identidade. O relato ilustra como diversas vias, incluindo intervenções psi, podem ter impactos severos na saúde mental e na autodeterminação.

Perspetivas institucionais

Especialistas indicam que muitas tentativas de “conversão” não envolvem profissionais de saúde mental qualificados. Falam na necessidade de proteção de menores, presença de orientação adequada e combate a mensagens que culpabilizam quem é LGBT+.

Organizações de apoio apontam para a persistência de práticas, sobretudo em contextos religiosos. A discussão parlamentar continua, com o objetivo de clarificar direitos, proteção e eventual regresso de políticas públicas.

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