- A comunidade judaica síria enfrenta dificuldades para obter comida kosher devido à falta de matadouros autorizados e de condições de abate, recorrendo a carne importada de estrangeiro armazenada em frigoríficos.
- O abate kosher exige um abatedor judeu certificado e utiliza uma faca de diamante, com inspeção pós‑abate para detectar doenças; se houver problemas, a carne não pode ser consumida.
- Há planos para reativar o abate local em Damasco, permitindo que a carne seja armazenada no frigorífico, com carne de fora usada quando necessário (Turquia ou América).
- O Hotel Semiramis abriu uma secção para cozinha judaica, com carne trazida de fora e preparação apenas em utensílios novos; se não houver kosher, opta-se por peixe.
- Restaurantes kosher enfrentam resistência entre proprietários, que apontam inviabilidade económica e baixa procura; a comunidade síria reduziu‑se para nove membros em 2024.
A comunidade judaica na Síria enfrenta dificuldades crescentes para obter comida kosher, principalmente pela ausência de matadouros autorizados e de condições de abate reconhecidas. Sem fornecedores estáveis, os habitantes dependem de carne importada de situação irregular e armazenada por longos períodos.
O número de membros da comunidade diminui a cada ano, e a preparação de alimentos tradicionais tornou-se uma memória quase oral. Na antiga Damasco, em bairros judeus, a necessidade de recursos externos e de supervisão especializada condiciona o acesso a refeições kosher.
Condições de abate
A palavra kosher implica o abate de ovelhas, vacas e galinhas segundo regras específicas, com um abatedor judeu certificado. O processo inclui inspeção pós-abate para detectar doenças e permitir apenas carne apta para consumo. Se o animal apresentar problemas, não é utilizado.
Há ainda critérios sobre o estado do animal antes do abate; animais com ferimentos graves não são consumidos. O objetivo é garantir uma preparação que respeite as tradições, algo cada vez mais difícil sem uma infraestrutura local.
Novo matadouro
Antes do agravamento da situação, a comunidade obtinha carne kosher da Turquia ou da América. Atualmente, os judeus recorrem a importações esporádicas, com a carne armazenada em frigoríficos até o uso.
Há planos para reativar o abate local com um abatedor judeu e armazenamento adequado, de modo a regularizar o fornecimento. Paralelamente, a indústria hoteleira analisa soluções para a preparação de pratos kosher, com regras estritas de utensílios novos ou devidamente higienizados.
A experiência do Hotel Semiramis
O Hotel Semiramis criou uma secção dedicada à cozinha judaica, com confeção de carne importada e preparação local. Os utensílios devem ser novos e não podem ter passado por processos anteriores de confecção kosher, para manter a conformidade.
Por outro lado, existem resistências à abertura de restaurantes kosher em Damasco. A comunidade teme a viabilidade económica devido ao reduzido número de judeus e à ausência de turismo religioso, o que torna custos de instalação proibitivos.
Opiniões divergentes dos proprietários
Alguns empresários consideram a abertura de restaurantes kosher incompatível com a realidade local, citando questões de segurança e a falta de demanda. Outros veem a iniciativa como potencial impulso ao turismo, mas reconhecem obstáculos legais e financeiros significativos.
Ainda que haja interesse em facilitar o regresso de visitantes judeus, a maior parte dos proprietários entende que a infraestrutura necessária, incluindo matadouros e equipas especializadas, não é viável no momento. A comunidade continua a adaptar-se à escassez de apoios e recursos.
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