- O economista Duncan Webb avaliou a discriminação contra pessoas trans na Índia, questionando se mudanças legais se traduzem em atitudes reais.
- Em Chennai, 3.397 pessoas cis foram entrevistadas; 93% viam a discriminação como errada, mas havia distância entre crença e ação.
- O estudo dividiu o grupo: parte discutiu entre vizinhos sobre contratar pessoas trans; a outra não entrou em conversa.
- Quem discutiu mostrou menor discriminação na prática, com ganhos de 17 e 13 pontos percentuais na probabilidade de contratar uma pessoa trans, respetivamente para grupos de três e dois.
- Conclusão: conversar entre pares pode reduzir a discriminação; informações sobre direitos legais também aumentaram a probabilidade de contratação (até +10,3 e +5,8 pontos percentuais segundo o vídeo informativo).
Duncan Webb investiga como a conversa altera a discriminação. O economista britânico de 32 anos avaliou se falar sobre direitos trans na Índia reduz preconceitos no mercado de trabalho. O estudo analisa mudanças legais entre 2014 e 2018 e o impacto na atitude das pessoas.
Entre 3397 participantes cis em Chennai, 93% consideraram o ato discriminatório errado. O investigador criou uma experiência: parte do grupo conversou sobre contratar pessoas trans, outra parte não teve diálogo. Depois, pediu a entrega de compras e escolheu entre uma pessoa trans e outra cis para o serviço.
Os resultados mostraram menos discriminação entre quem discutiu o tema. Grupos de três participantes apresentaram aumento de 17 pontos percentuais na seleção de uma pessoa trans para a entrega, em comparação com quem não participou. Grupos de duas pessoas registraram aumento de 13 pontos percentuais.
Megafone social
O que surpreende é que as pessoas pró-direitos humanos surgem mais vocais do que os que discriminam. Nas redes sociais, a interação é maiormente impessoal, mas em conversas presenciais a persuasão é mais eficaz. Confiam mais entre si do que em fontes anónimas online.
Parte da pesquisa avaliou o efeito de informar sobre direitos legais: vídeos sobre direitos aumentaram em 10,3 pontos percentuais a probabilidade de contratar uma pessoa trans, já mensagens combinadas resultaram em 5,8 pontos percentuais a mais. O estudo aponta que leis pró-trans influenciam comportamentos.
A investigação sustenta que existem dois efeitos legais: proteção direta e sinalização social. Leis favoráveis reduzem a discriminação ao sinalizar aceitabilidade. Conclui que identificar pessoas dispostas a confrontar o preconceito e potenciá-las com treino pode ampliar o efeito positivo.
Outras evidências respaldam a utilidade de intervenções comunitárias. Em Madagáscar, raparigas treinadas para falar sobre menstruação reduziram o estigma e melhoraram o aproveitamento escolar. Estes casos sugerem estratégias de megafone local para o tema trans.
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