- José Ornelas, a sair da presidência da Conferência Episcopal Portuguesa, disse que a resposta às vítimas de abuso sexual por clérigos pode ter ficado aquém das expetativas de algumas pessoas.
- A declaração ocorreu na abertura da 214.ª Assembleia Plenária, em Fátima, que decorre até quinta-feira e inclui a eleição dos novos órgãos da CEP.
- O processo de atribuição de compensações financeiras às vítimas está a encerrar-se; a CEP tem a decisão final e houve polémica por redução de montantes, com base na jurisprudência dos tribunais.
- Ornelas destacou que a Igreja colocou as vítimas no centro do pensamento e da ação e que o processo tem sido conduzido com seriedade e responsabilidade.
- O bispo defendeu a necessidade de uma cultura de proteção e de “tolerância zero” permanente, alertando para o risco de desilusão e radicalização, e mencionou a regulação dos fluxos migratórios sem justificar tratamentos desumanos; na assembleia serão apresentados nomes para substituir Ornelas, com Virgílio Antunes e Rui Valério entre os citados.
José Ornelas, no final do seu mandato à frente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), admitiu que a resposta às vítimas de abuso sexual por membros do clero pode ter ficado aquém das expetativas de algumas pessoas. Garantiu, contudo, que o processo foi sempre tratado com seriedade e responsabilidade pela Igreja.
A observação foi feita durante a abertura da 214.ª Assembleia Plenária, que decorre em Fátima desde segunda-feira e decorre até quinta, com a eleição dos novos órgãos da CEP em agenda.
Durante o seu discurso de despedida, o ainda presidente da CEP avaliou os seis anos de liderança, marcados por desafios como a pandemia, conflitos armados, crise migratória e o processo de proteção de menores e adultos vulneráveis.
A ênfase recaiu na posição da Igreja: houve preocupação em colocar as vítimas no centro do pensamento e da ação, visando contribuir para a superação dos dramas vividos e para a reconstrução de vidas.
Avaliação da resposta às vítimas
Ornelas reconheceu que nem toda a intencionalidade esteve claramente expressa, mas reiterou que houve esforço para agir de forma responsável. No que toca às indemnizações, explicou que a redução de montantes teve em conta a jurisprudência dos tribunais portugueses, deixando claro que a decisão final cabe à CEP.
Medidas de proteção e cultura de prevenção
O bispo destacou a necessidade de consolidar uma cultura de proteção e cuidado na Igreja em Portugal, com prevenção reforçada. Disse que a “tolerância zero” não pode ser apenas uma frase, devendo tornar-se critério permanente de coerência evangélica.
Contexto institucional e riscos sociais
Na abertura da assembleia, o líder religioso alertou para o aumento de desilusão, protesto e radicalização, que alimentam populismos e políticas baseadas no medo. Refere, ainda, a regulação dos fluxos migratórios, sem justificar situações desumanas ou processos de integração falhados.
Próximos passos da CEP
Ao longo da assembleia, vão ser eleitos os órgãos sociais da CEP para o próximo triénio. Entre os nomes apontados para a sucessão de Ornelas surgem Virgílio Antunes, bispo de Coimbra, e Rui Valério, patriarca de Lisboa.
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