José Ornelas, à frente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) pela segunda vez, afirmou numa entrevista à Lusa que usar a Igreja para defender perseguição ou exclusão não representa o catolicismo. Defendeu um discurso que valorize a inclusão de quem é diferente numa sociedade democrática.
O bispo de Leiria-Fátima destacou que não impede quem discorda, desde que haja respeito pelo direito de expressão, rejeitando a ideia de que a fé deva promover guerras ou discriminação. Propôs, em vez disso, um caminho de agregação e de convívio comum entre crentes e não crentes.
Jesus, disse, atuou fora da caixa para a sua época, e qualquer discurso que, em nome de Deus, discrimine pessoas está errado. Alertou ainda para a utilização política da religião e para a necessidade de um diálogo que preserve a racionalidade da fé.
Contexto e críticas internas
Ornelas mencionou que alguns políticos, autodenominados católicos, promovem discursos de ódio e distorções da fé. Referiu que a Igreja tem sido perseguida ao longo da história por defender valores humanos universais e pediu cautela face a posições que não correspondam à sua doutrina.
Justiça, direitos e economia
O cabeça da CEP vincou a importância de justiça e direito para uma sociedade inclusiva. Afirmou que a corrupção política, sobretudo por detrás, pode financiar guerras, com referência a fatores económicos como o petróleo que alimentam conflitos em países produtores.
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