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Portugueses isolam-se; jovens e pobres convivem menos com amigos

Estudo do ISCTE revela redução de amigos entre jovens e rendimentos baixos desde 2015, aumentando solidão e pedindo espaços públicos de convívio

Estudo recomenda "a remoção de obstáculos económicos" a um convívio mais frequente com os amigos
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  • Um estudo do ISCTE mostra que os portugueses têm hoje menos amigos do que há dez anos, destacando que os jovens e os mais pobres convivem menos.
  • Conclui que Portugal se insere na tendência internacional de isolamento dos mais novos e dos mais pobres, com menos prática social e maior sentimento de solidão.
  • A maioria dos inquiridos não percebe mudanças nos relacionamentos: cerca de 60% disse que não houve alterações, e 20% afirmou que pioraram.
  • Os investigadores defendem políticas públicas que promovam espaços públicos de convívio de qualidade e sem custos, para melhorar a integração social e a saúde.
  • A solidão é mais acentuada entre quem vive sozinho (33%), pessoas LGBT+ (35%), precários (24%), desempregados (39%) e os mais pobres (43%), face aos que têm contrato estável (18%) e aos mais ricos (13%).

O ISCTE revelou que os Portugueses têm hoje menos amigos do que há dez anos, com os jovens e os menos favorecidos a convivem menos. O estudo recomenda investir em espaços públicos de convívio para mitigar o fenómeno.

Segundo os investigadores, entre 2015 e 2025 houve uma clara redução do número de amigos íntimos, aumento da solidão e menor integração social. A coordenadora Luísa Lima sublinha que muitos não percebem estas mudanças.

O relatório, intitulado A Amizade em Portugal, aponta que a queda de socialização é mais acentuada nas camadas com rendimentos mais baixos, e que a pandemia deixou efeitos duradouros nos padrões de convívio.

A ligação entre bom relacionamento social e saúde é enfatizada pelos autores, que defendem a remoção de obstáculos económicos ao convívio. A promoção de espaços públicos de qualidade pode facilitar encontros sem custo.

Desigualdades e impactos

Entre os 18 e 64 anos, o estudo indica que Portugal acompanha uma tendência internacional de isolamento entre jovens e adultos economicamente desfavorecidos, com maior incidência de solidão nesses grupos.

A solidão também se manifesta de forma desigual por residências, com pessoas que vivem sós a sentirem-se mais isoladas do que quem partilha casa. Grupos como o LGBT+ apresentam níveis mais elevados de solidão.

Os autores destacam que a percepção pública sobre alterações nos relacionamentos é baixa, já que cerca de 60% dos inquiridos consideram estáveis as redes sociais, face a apenas 20% que reconhece piora.

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