- Um estudo do ISCTE mostra que os portugueses têm hoje menos amigos do que em 2015, com os jovens e os mais pobres a convivirem menos.
- Em 2025, face a 2015, houve redução de amigos íntimos, aumento da solidão e menor integração social, ainda que as pessoas quase não percebam estas mudanças.
- Os autores defendem a promoção de espaços públicos de convívio com qualidade e políticas locais que facilitem encontros sem custos.
- O estudo aponta que os relacionamentos de amizade têm impacto maior na felicidade e na saúde do que os laços familiares, e que a pobreza está ligada a menos contactos e mais solidão.
- Dados adicionais: cerca de 60% não vê alterações nos relacionamentos; a solidão é maior entre quem vive sozinho, pessoas LGBT+, precários, desempregados e os mais pobres.
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Os Portugueses têm hoje menos amigos do que há uma década, revela um estudo do ISCTE divulgado nesta sexta-feira. A pesquisa compara 2025 com 2015 e mostra redução do número de amigos íntimos, aumento da solidão e menor integração social. O relatório defende a criação de espaços públicos de convívio.
A coordenadora do estudo, Luísa Lima, aponta que, apesar da perceção pública, a mudança é mais acentuada do que parece. O documento sugere políticas públicas locais para facilitar encontros que não implique despesa, promovendo espaços de convívio com qualidade.
Transformação social e impacto económico
O estudo, intitulado A Amizade em Portugal – Como é? O que Mudou?, reforça que os mais jovens sentem-se mais sós, com menos amigos e menos práticas sociais desde a pandemia de covid-19. A redução é mais marcada entre as classes com menor rendimento.
Entre os 18 e 64 anos, Portugal segue uma tendência internacional de isolamento dos mais novos e dos menos favorecidos. Jovens, pessoas precárias e com rendimentos baixos reportam maior solidão.
Percepção pública e fatores de solidão
Segundo os autores, a maioria não reconhece a alteração nos relacionamentos: cerca de 60% dizem não ter notado mudanças, e apenas 20% admitem piora. Relacionamentos com amigos permanecem determinantes para a felicidade, mais do que vínculos familiares.
A pesquisadora sublinha que a conexão social é relevante para a saúde, com a Organização Mundial de Saúde a apontar a solidão como problema de saúde pública. O estudo também diferencia solidão entre quem vive sozinho e quem vive com outras pessoas.
Demografia da solidão
A solidão é mais acentuada entre pessoas LGBT+ (35%) do que entre heterossexuais (21%), entre precários (24%) e desempregados (39%) frente a trabalhadores com contrato estável (18%). Pelos investigadores, estes resultados indicam causas estruturais associadas a grupos socialmente desvalorizados.
O estudo reforça que quem vive sozinho tem maior incidência de solidão (33%) do que quem vive com outras pessoas (20%), destacando a necessidade de políticas de inclusão social e de redução de barreiras económicas.
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