- Entre 2020 e 2025, as receitas brutas do jogo online subiram 258%, passando de 336,4 milhões de euros para 1,206 milhões de euros.
- O maior crescimento ocorreu nos jogos de sorte e azar, com um aumento de 334%; as apostas desportivas também cresceram, em 178%.
- A “gamblificação” tornou‑se tão presente que 13 das 18 equipas da primeira liga exibem casas de apostas nas camisolas (ou na manga, para as restantes).
- A acessibilidade, com apostas ao alcance de um telemóvel ou relógio digital, é apontada como factor de diminuição da barreira ao vício, segundo especialistas.
- O fenómeno é discutido no podcast Como Assim, com perspetivas de especialistas em comportamento aditivo, responsabilidade social e regulação.
Apostar deixou de ser atividade exclusiva do casino tradicional. Hoje, com um telemóvel à mão, o ato de arriscar alcança o futebol, os videojogos e até a política, entrando em quase todas as áreas da cultura digital. O fenómeno, descrito como gamblificação da sociedade, cresce num ecossistema de risco e recompensa, alimentado por plataformas online e figuras públicas.
Este episódio do podcast Como Assim analisa como este fenómeno se tornou omnipresente, influenciando hábitos, desporto e saúde pública. Especialistas destacam a acessibilidade como fator crucial para o aumento do consumo de apostas entre jovens e adultos, com consequências ainda por mapear em termos de dependência.
Dados sobre o impacto económico
Entre 2020 e 2025, as receitas brutas do jogo online aumentaram 258%, de 336,4 milhões para 1,206 mil milhões de euros. O maior crescimento ocorreu nos jogos de sorte e azar, com +334%, seguido pelas apostas desportivas, que subiram 178%.
A relação entre casas de apostas e clubes tornou-se clara: treze das dezoito equipas da primeira liga exibem casas de apostas na frente da camisola, com as restantes na manga. Esta simbiose é apresentada como uma alteração na forma de consumirmos desporto.
Que dizem os especialistas e organizações
Marcelo Moriconi, do ISCTE, sustenta que é difícil consumir desporto sem incentivos para apostar, destacando a influência do ecossistema de apostas. A psiquiatra Inês Homem de Melo, especialista em comportamentos aditivos, aponta a acessibilidade como fator facilitador do vício.
Pedro Hubert, coordenador do Instituto de Apoio ao Jogador, indica que a idade dos apostadores tem diminuído, com muitos começando nos videojogos e prosseguindo para os mercados financeiros. Bernardo Neves, secretário-geral da APAJO, e Luís Pisco, jurista da Deco, também participam no debate.
Onde e quando ouvir
O episódio está disponível no podcast Como Assim, com episódios quinzenais às quartas-feiras. A produção é publicada em plataformas de streaming, incluindo Spotify e Apple Podcasts, além de outras aplicações de podcasts.
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