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Estudo revela que uma em cada três pessoas trans tenta suicídio

No Dia Internacional da Visibilidade Trans, especialistas alertam que uma em cada três pessoas trans já tentou suicídio, com retrocesso político a elevadar a ansiedade.

Comunidade trans saiu à rua, no Porto, a 29 de março pelas "várias Gisbertas" escondidas e silenciadas (Foto: André Rolo)
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  • Uma em cada três pessoas trans tenta o suicídio, segundo resultados agregados de inquéritos a nível internacional, com a meta-análise de 2023 a situar o fenómeno em 29% a nível global.
  • No quotidiano, as pessoas trans enfrentam bullying, microagressões, uso do “nome morto” e dificuldades de acesso à saúde, habitação e mercado de trabalho, aumentando a sensação de insegurança e risco.
  • Dados da UE, divulgados em 2023, indicam que 8% das pessoas trans em Portugal enfrentaram dificuldades no acesso a cuidados de saúde por causa da identidade de género, e 17% sentiram discriminação nos cuidados de saúde.
  • Em novembro de 2025 abriu o Transgender Health Institute, espaço multidisciplinar para pessoas trans, criado para responder à necessidade de cuidados afirmativos, com equipas de psicologia, endocrinologia e cirurgia.
  • A legislatura recente, com projetos aprovados a 20 de março, é apresentada como retrocesso por especialistas: exige relatório clínico para a transição, restringe o direito de menores de 16 anos a mudar o nome e complica o acesso a bloqueadores hormonais, aumentando a ansiedade na comunidade.

Uma psicóloga especialista em questões LGBTI+ alerta para as dificuldades que a comunidade trans enfrenta diariamente, entre preconceito, discriminação e obstáculos no acesso a cuidados de saúde. O Dia Internacional da Visibilidade Trans é hoje celebrado em Portugal.

A coordenadora do corpo clínico do Transgender Health Institute aponta que, apesar de progressos em 2018, a situação tem piorado nos últimos anos. Variados episódios de transfobia ganham expressão no espaço público e nas escolas.

Também há barreiras relevantes no acesso aos cuidados de saúde. Encaminhamentos para especialidades demoram, e há poucos profissionais com experiência na área da transição. A demora agrava a ansiedade entre quem precisa de cirurgia ou tratamentos.

Dados europeus de 2023 mostram dificuldades de acesso a cuidados de saúde por identidade de género e uma parte significativa da comunidade recorreu a serviços no estrangeiro por falta de resposta adequada no país. Discriminação em contextos de saúde manteve-se acima da média europeia.

Em novembro de 2025 nasceu o Transgender Health Institute, com especialização para pessoas trans. A clínica reúne equipas de psicologia, endocrinologia e cirurgia, visando responder a necessidades identificadas pela comunidade.

Além da saúde, surgem desafios no dia a dia: escolha de instalações, acesso ao mercado de trabalho e habitação, bem como resistência familiar. O bullying e as microagressões persistem, com impacto direto na vida escolar e educativa.

A prevalência de depressão é superior entre pessoas trans, em relação à população cis. A taxa de tentativas de suicídio situa-se entre as mais altas, com dados que indicam que uma parte considerável da comunidade já enfrentou esse risco em diferentes momentos da vida.

A aprovação recente de leis sobre identidade de género é vista pela especialista como retrocesso. A professora de saúde pública destaca que tais medidas patologizam a identidade, restringem direitos de menores e reduzem o acesso a tratamentos.

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