- Uma em cada três pessoas trans tenta o suicídio, segundo resultados agregados de inquéritos a nível internacional, com a meta-análise de 2023 a situar o fenómeno em 29% a nível global.
- No quotidiano, as pessoas trans enfrentam bullying, microagressões, uso do “nome morto” e dificuldades de acesso à saúde, habitação e mercado de trabalho, aumentando a sensação de insegurança e risco.
- Dados da UE, divulgados em 2023, indicam que 8% das pessoas trans em Portugal enfrentaram dificuldades no acesso a cuidados de saúde por causa da identidade de género, e 17% sentiram discriminação nos cuidados de saúde.
- Em novembro de 2025 abriu o Transgender Health Institute, espaço multidisciplinar para pessoas trans, criado para responder à necessidade de cuidados afirmativos, com equipas de psicologia, endocrinologia e cirurgia.
- A legislatura recente, com projetos aprovados a 20 de março, é apresentada como retrocesso por especialistas: exige relatório clínico para a transição, restringe o direito de menores de 16 anos a mudar o nome e complica o acesso a bloqueadores hormonais, aumentando a ansiedade na comunidade.
Uma psicóloga especialista em questões LGBTI+ alerta para as dificuldades que a comunidade trans enfrenta diariamente, entre preconceito, discriminação e obstáculos no acesso a cuidados de saúde. O Dia Internacional da Visibilidade Trans é hoje celebrado em Portugal.
A coordenadora do corpo clínico do Transgender Health Institute aponta que, apesar de progressos em 2018, a situação tem piorado nos últimos anos. Variados episódios de transfobia ganham expressão no espaço público e nas escolas.
Também há barreiras relevantes no acesso aos cuidados de saúde. Encaminhamentos para especialidades demoram, e há poucos profissionais com experiência na área da transição. A demora agrava a ansiedade entre quem precisa de cirurgia ou tratamentos.
Dados europeus de 2023 mostram dificuldades de acesso a cuidados de saúde por identidade de género e uma parte significativa da comunidade recorreu a serviços no estrangeiro por falta de resposta adequada no país. Discriminação em contextos de saúde manteve-se acima da média europeia.
Em novembro de 2025 nasceu o Transgender Health Institute, com especialização para pessoas trans. A clínica reúne equipas de psicologia, endocrinologia e cirurgia, visando responder a necessidades identificadas pela comunidade.
Além da saúde, surgem desafios no dia a dia: escolha de instalações, acesso ao mercado de trabalho e habitação, bem como resistência familiar. O bullying e as microagressões persistem, com impacto direto na vida escolar e educativa.
A prevalência de depressão é superior entre pessoas trans, em relação à população cis. A taxa de tentativas de suicídio situa-se entre as mais altas, com dados que indicam que uma parte considerável da comunidade já enfrentou esse risco em diferentes momentos da vida.
A aprovação recente de leis sobre identidade de género é vista pela especialista como retrocesso. A professora de saúde pública destaca que tais medidas patologizam a identidade, restringem direitos de menores e reduzem o acesso a tratamentos.
Entre na conversa da comunidade