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Mulheres mais velhas que quem escreve sobre elas geram debate

No Porto, Margaret Atwood fala de memória, bullying infantil e de como a idade altera a receção pública de uma escritora mundial

Escritora Margaret Atwood marcou presença no festival literário Babell, no Porto
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  • Margaret Atwood, de 86 anos, apresentou as suas memórias no festival Babell, no Porto, numa sessão iniciada às 16:17 na Praça de Gomes Teixeira, com moderação de Tânia Ganho.
  • A autora falou sobre a infância em florestas remotas do Norte do Canadá, o isolamento e a vida sem eletricidade nem água; explicou que escreveu as memórias com um diário junto à cama.
  • Revelou que sofreu bullying aos nove anos, sobretudo por parte de raparigas, descrevendo a diferença entre dinâmicas entre meninas e entre rapazes.
  • Sobre feminismo, disse que existem cerca de setenta e cinco tipos e que apoia os direitos humanos, não a ideia de que homens devam desaparecer.
  • A sessão foi interrompida pela Marcha do Orgulho LGBTI+ no Porto, a qual Atwood aplaudiu, e terminou com aplausos de pé diante da plateia.

No Porto, este fim de semana, a escritora Margaret Atwood marcou presença no festival literário Babell, onde partilhou memórias, infância e a sua perspetiva sobre o feminismo. O ciclo de sessões decorreu na Praça de Gomes Teixeira, com milhares de pessoas a assistir sob um sol intenso. A sessão começou por volta das 16h17.

Atwood falou sobre a origem das suas memórias, editadas com apoio de um diário junto à cama. Descreveu a infância em regiões florestais do norte do Canadá e o isolamento vivido sem eletricidade nem água potável, moldando a sua escrita. A autora explicou que apenas escreve para evitar esquecer detalhes do quotidiano.

Reações e contexto

Questionada sobre o impacto dos seus livros em leitores e críticos, Atwood reconheceu receções diversas ao longo da carreira, salientando que a idade influencia a perceção pública. Abordou também o passado de bullying na infância, destacando diferenças entre dinâmicas entre meninas e meninos.

Perspetiva sobre o feminismo

A escritora refletiu sobre o conceito de feminismo, apontando que existem várias correntes e que não defende uma visão extremista. Defendeu que os direitos das mulheres são parte dos direitos humanos de que todos devem beneficiar, incluindo os homens.

Interrupção da sessão

Durante a palestra, houve uma breve interrupção ligada à Marcha do Orgulho LGBTI+ que ocorreu no Porto. Atwood aplaudiu o momento, reconhecendo a luta pelos direitos dos transexuais. O público manteve-se em silêncio respeitoso e retomou a sessão com a plateia a aplaudir de pé.

Margaret Atwood, hoje com 86 anos, iniciou a escrita aos seis e tornou-se autora de reconhecidos títulos, entre os quais História de uma Serva. O Babell arranca na quarta-feira e prolonga-se até segunda-feira, apresentando nomes como Olga Tokarczuk e Salman Rushdie, com um programa que inclui sessões, cinema e música. A organização envolve a Livraria Lello, com apoio da Câmara do Porto.

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