- O coletivo “Zapper Bolloré” anunciou que o ator espanhol Javier Bardem, o realizador britânico Ken Loach e o ator Mark Ruffalo se juntaram aos signatários do manifesto que denuncia a influência de Vincent Bolloré no cinema.
- O texto acusa uma influência “tentacular e ideológica” de Bolloré na indústria cinematográfica francesa e alerta para a concentração de poder mediático e cultural.
- O manifesto já tem 3 460 profissionais do setor a assinar, subindo a partir de 600 depois da declaração de Maxime Saada, presidente da Canal+, de não querer trabalhar com os signatários.
- Além de Bardem, Loach e Ruffalo, integram a lista de signatários realizadores e artistas internacionais como Annemarie Jacir, Aki Kaurismäki, Yorgos Lanthimos e Walter Salles.
- Bolloré opera um portefólio de participações de 10,6 mil milhões de euros, que inclui Universal Music Group, Canal+, Louis Hachette Group, Havas e Vivendi; a Canal+ planeia investir 160 milhões de euros em 2026 e 170 milhões em 2027 no cinema francês.
O colectivo Zapper Bolloré revelou que atores de peso juntaram-se à petição que denuncia o controlo de Vincent Bolloré sobre o cinema. Entre os novos signatários estão Javier Bardem, Ken Loach e Mark Ruffalo, aumentando o elenco que já criticava a influência do empresário.
A iniciativa já contava com 3.460 profissionais do setor, após ter chegado a 600 signatários antes da declaração do presidente da Canal+. O manifesto acusa a presença de Bolloré na gestão de várias entidades culturais e mediáticas.
Entre os signatários iniciais estavam Adèle Haenel, Juliette Binoche e Blanche Gardin, além de Swann Arlaud e Jean-Pascal Zadi. Também participaram Raymond Depardon, Arthur Harari e outros criadores.
Controvérsia em Cannes
A intervenção de Maxime Saada, presidente da Canal+, durante o Festival de Cannes, gerou forte reação no setor. A declaração provocou receios sobre limitações à liberdade de expressão na indústria.
Alain Chabat comentou à AFP a pressão associada à posição do grupo estatal, lamentando a tensão entre equipes e executivos. Cohabitando com Vertige, o ator pediu equilíbrio entre opinião pública e decisões empresariais.
Jonathan Cohen, colega de Chabat em Vertige, reconheceu o receio legítimo dos signatários, sublinhando que a Canal+ abriga uma diversidade de produções, apesar da contestação recente.
Panorama financeiro de Bolloré
A Canal+ comprometeu-se a investir 160 milhões de euros em cinema francês em 2026 e 170 milhões em 2027, depois de 150 milhões em 2025, que financiaram 189 filmes. Os montantes continuam aquém de períodos anteriores.
O conglomerado Bolloré gere um portfólio de participações estimado em 10,6 mil milhões de euros em 31 de dezembro de 2025, incluindo 18,4% da Universal Music Group e 30,4% da Canal+, Louis Hachette, Havas e Vivendi.
Este conjunto de ativos coloca Bolloré na esfera de britas da indústria cultural, com influência significativa no audiovisual, edição e comunicação global.
Contexto no setor editorial
No passado, o grupo Bolloré já foi alvo de críticas de escritores da editora Grasset, após a destituição do presidente Olivier Nora. Em carta, identificaram a influência de Bolloré como fator de autoritarismo cultural.
O magnata comprou em 2023 o grupo Hachette, incluindo Grasset, bem como Canal+, C-News, Europe 1 e revist as como Elle. Ações que ampliaram a visibilidade das tensões entre gestão e mercado editorial.
Mais de 300 autores e agentes pediram uma cláusula de consciência para equilibrar liberdade empresarial e liberdade de expressão, numa tentativa de proteção de independência editorial.
Bolloré respondeu com um texto de opinião em um veículo próprio, defendendo o diálogo e prometendo buscar novos autores para a editora. O bilionário afirmou ficar surpreendido com o barulho gerado.
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