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Realizador iraniano Ali Asgari troca o cinema pela paz

Ali Asgari diz que trocaria o cinema pela paz no Irão, à frente da estreia de Divina Comédia em Portugal, sublinhando a liberdade de expressão

Foto: Estela Silva/Lusa
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  • O realizador Ali Asgari disse à Lusa que gostaria que o povo do Irão tivesse paz e felicidade, e que abdicaria do cinema se isso fosse possível.
  • O filme Divina Comédia, que estreou em Veneza e chega a salas portuguesas pela Nitrato Filmes, acompanha um realizador cuja obra é proibida pelas autoridades iranianas e que tenta projetá-la clandestinamente em Teerão.
  • Asgari não pede permissão às autoridades para filmar, defendendo a liberdade de expressão como essencial para transmitir a sua mensagem.
  • Em Lisboa, Teerão, a cidade natal do realizador, é apresentada como personagem importante, com foco na desigualdade social e nas histórias que nela se cruzam.
  • Divina Comédia vai estrear a partir de quinta-feira em salas de Castelo Branco, Coimbra, Lisboa, Portimão e Porto, antes de o cineasta participar na terceira edição do Festival Internacional de Cinema da Maia.

O cineasta iraniano Ali Asgari afirmou à Lusa que desejaria que o povo do Irão encontre paz e felicidade, chegando a dizer que abandonaria o cinema se essa fosse a troca possível. A declaração ocorreu antes da estreia do seu novo filme em Portugal.

Divina Comédia, que estreou em Veneza no ano passado, chega às salas portuguesas pela Nitrato Filmes. O enredo satiriza a tentativa de um realizador proibido pelas autoridades iranianas de projetar o seu filme clandestinamente em Teerão.

Asgari, que será destaque na 3.ª edição do Festival Internacional de Cinema da Maia, explicou que não depende das autoridades para filmar e que valoriza a liberdade de expressão para transmitir a sua mensagem. O realizador nasceu em Teerão e nele encontrou a cidade como personagem central.

Em saída de Teerão, a capital iraniana, a narrativa aponta para a desigualdade entre ricos e pobres, com a cidade como cenário recorrente. O realizador explicou que filmar na metrópole foi uma decisão natural, dada a sua origem e o próprio ambiente que conhece.

O diretor salientou que a guerra externa não é o único fator a considerar: os protestos de janeiro provocaram um impacto profundo na população, gerando depressão e tristeza que influenciam a produção cinematográfica no Irão. A opinião é partilhada como contexto à obra.

Questionado sobre eventuais barreiras à divulgação internacional, Asgari disse acreditar que a verdade persiste como prioridade para o público, independentemente das tensões regionais. Em todo o caso, não vê obstáculos significativos à exibição externa do seu trabalho.

O cineasta reconhece que prefere abandonar a indústria caso a vida de pessoas próximas seja afetada, mas mantém o foco na busca de uma vida mais estável para a família e para o público iraniano. O objetivo, segundo ele, é que haja paz e felicidade.

A Nitrato Filmes informou que Divina Comédia chega a Castelo Branco, Coimbra, Lisboa, Portimão e Porto a partir de quinta-feira, num conjunto de cinemas nacionais que acompanha a estreia internacional do filme. Olhando para a agenda internacional, Asgari retorna a Cannes em maio para integrar o júri da competição de curtas e a secção La Cinef.

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