- O realizador iraniano Ali Asgari afirmou à Lusa que, se pudesse, trocaria o cinema pela paz para o povo do Irão.
- O filme Divina Comédia, estreado em Veneza, chega quinta-feira a salas portuguesas pela Nitrato Filmes; aborda um realizador que vê o seu filme proibido pelas autoridades iranianas e tenta projetá-lo clandestinamente em Teerão.
- Asgari disse que não pede permissão às autoridades para filmar, defendendo a liberdade de expressão e a importância de transmitir a mensagem que considera correta.
- Em referência aos impactos da crise recente, o cineasta afirmou que os milhares de mortos nos protestos de janeiro causaram mais repercussões na sociedade iraniana do que a guerra externa.
- Divina Comédia estará em várias salas de Castelo Branco, Coimbra, Lisboa, Portimão e Porto a partir de quinta-feira, conforme a Nitrato. A Maia acolhe a 3.ª edição do festival onde Asgari vai estar em destaque.
Ali Asgari revela que estaria disposto a trocar o cinema pela paz, se isso trouxesse tranquilidade ao povo iraniano. O realizador falava à Lusa, a poucos dias da estreia do seu novo filme em Portugal.
O filme Divina Comédia estreou em Veneza no ano passado e chega às salas portuguesas pela Nitrato Filmes. A narrativa acompanha um cineasta cujo trabalho é proibido pelas autoridades iranianas e que tenta projetá-lo clandestinamente em Teerão.
Asgari, que também participa na 3.ª edição do Festival Internacional de Cinema da Maia, explicou que não pede licença para filmar, defendendo a liberdade de expressão. O realizador nasceu em Teerão, onde o filme foi rodado.
Na leitura do contexto, o cineasta aponta que a cidade é uma personagem com 15 milhões de habitantes e desigualdades crescentes. Asgari sublinha ter crescido na capital iraniana e optar por filmes ambientados na urbe.
Quanto ao impacto da guerra na região, Asgari afirma que os protestos de janeiro deixaram consequências profundas no Irão, mais do que conflitos externos. Diz que os cineastas procuraram novas formas de contar a realidade.
Sobre o futuro do cinema, o realizador afirma que prefere abandonar o ofício se isso significar paz para o povo e para a família. Enaltece a importância de falar a verdade, sem deixar de ouvir as diferentes perspetivas.
Reconhecido internacionalmente, Asgari tem passado por Berlim, Cannes e outros palcos. Em maio, retorna a Cannes como membro do júri da competição de curtas e de La Cinef, o segmento para cineastas emergentes.
Segundo a Nitrato, Divina Comédia chega a Castelo Branco, Coimbra, Lisboa, Portimão e Porto já a partir desta quinta-feira.
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