- Pavel Talankin ganhou o Óscar 2026 de melhor documentário com Mr Nobody vs Putin, co‑escrito com David Borenstein.
- Após a vitória, a distribuição do filme foi proibida na Rússia no dia 16 de março, 10 dias depois o Ministério da Justiça incluiu o filme no registo de agentes estrangeiros.
- O documentário aborda a educação obrigatória nas escolas russas, a propaganda do regime e a transformação de professores e videógrafos escolares em parte da narrativa oficial.
- Talankin afirma que o filme mostra uma geração de descartados pela sociedade e pelo Estado, expulsos da vida normal, e que mantém contactos com todos os que participaram no projeto.
- Em entrevista, o realizador defende que um filme é uma fixação do que acontece e que cada país pode retirar conclusões diferentes, sem assumir verdades universais.
Pavel Talankin tornou-se, num espaço de quatro anos, uma figura central no cinema documental mundial, vindo de uma cidade de 10 000 habitantes no sul dos Urais. Desde o início da invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, o realizador mudou de foco para a educação obrigatória, propaganda e controvérsia estatal, dando origem a um documentário premiado.
No início de 2025 lançou o filme Mr Nobody vs Putin, coescrito com David Borenstein. Em 16 de março de 2026 recebeu o Óscar de Melhor Documentário em Los Angeles. Dez dias depois, a distribuição do filme foi proibida na Rússia pelo tribunal de Chelyabinsk, e 11 dias mais tarde o Ministério da Justiça inscreveu o projeto no registro de agentes estrangeiros.
O documentário aborda a transformação de professores e alunos, mostrando escolas onde crianças recebem formação ligada a armas e à militarização. Talankin sustenta que o filme revela uma geração de descartados pela sociedade e pelo Estado, expulsos da vida normal, sem revelar o destino dos jovens retratados.
Mudanças de tema e desdobramentos
Talankin explica que mantém contacto com todos os indivíduos retratados, recebendo relatos que vão desde mensagens positivas até críticas severas. O realizador defende que o filme oferece uma fixação diagnóstica sobre a realidade política de cada país, sem impor uma leitura única.
O artista, que deixou a Rússia no verão, discorda da designação de exílio, preferindo o termo afastamento. Distingue entre Estado e pátria, afirmando que é fácil abandonar o Estado, mas difícil abandonar a pátria, e destaca a diferença entre ambos.
Repercussões e mensagens
Críticos destacam a abordagem direta ao tema, enquanto alguns espectadores consideram a obra simples. Talankin diz que a simplicidade é a força do filme, por permitir leituras diversas sem perder o foco factual.
O realizador detalha que recebe mensagens de suporte de estudantes e antigos alunos, que lhe relatam experiências diferentes, atuais ou em curso. A obra permanece proibida na Rússia, mas continua a ser divulgada internacionalmente.
Entre na conversa da comunidade