- Vídeos gerados por inteligência artificial encenam dramas conjugais entre morangos e beringelas no TikTok, com vozes sintetizadas e bandas sonoras melancólicas.
- Canais dedicados criam pequenas novelas onde frutas e vegetais atuam como personagens, atingindo milhões de visualizações.
- Especialistas classificam o fenómeno como “slop”, conteúdo de baixa qualidade produzido em massa para captar audiência.
- O apelo reside na combinação entre o bizarro e a estrutura familiar de dramas de infidelidade, sem exigir esforço intelectual.
- O lucro é gerado pelo fundo de criadores do TikTok, com alguns perfis a faturar entre 2.000 e 5.000 dólares por mês apenas com estas visualizações.
A TikTok é inundada por vídeos gerados por inteligência artificial que encenam romances e traições entre frutas e vegetais. Morangos e berenjelas protagonizam disputas dramáticas, com vozes sintéticas e bandas sonoras melancólicas. Os conteúdos são criados inteiramente por IA e já alcançam milhões de visualizações.
Segundo o The New York Times, surgiram canais dedicados a pequenas novelas com protagonistas vegetais, produzidos digitalmente. A tendência insere-se num fenómeno de baixa qualidade, designado por especialistas como *slop*, criado para captar atenção e gerar receitas.
O fenómeno ganha força pela facilidade de criar animações a partir de simples instruções de texto. Utilizadores com acesso a modelos de vídeo por IA produzem dezenas de clips diários, reduzindo o tempo de produção tradicional.
Motivos e modelo de negócio
A curiosidade do público e a leitura rápida de conteúdos curtos ajudam a manter as visualizações altas. O formato não exige esforço intelectual, facilitando o consumo em navegação rápida nas plataformas.
As receitas aparecem sobretudo através do fundo para criadores do TikTok. Perfis com milhões de visualizações podem faturar entre 2000 e 5000 dólares por mês apenas com a reprodução desses dramas vegetais, segundo estimativas citadas pela análise.
Repercussões para o ecossistema digital
A situação levanta questões sobre a criação de conteúdo criativo e o papel dos algoritmos no gosto das audiências. Priorizando tempo de visualização, as plataformas podem incentivar conteúdos com menor variedade artística, ocupando espaço no feed de utilizadores.
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