- Em Portugal, vinte e oito vírgula sete por cento dos adultos vive com obesidade, doença crónica associada a mais de duzentas condições.
- No MAAT Central está patente até 4 de junho a iniciativa Stories Can’t Wait, da Lilly Portugal, que reúne histórias em primeira pessoa para combater o estigma.
- Uma das histórias é a de Marisa M., que afirmou que “Viver com obesidade não é viver”; hoje a doença está controlada e inspira outras pessoas.
- A iniciativa foi apresentada no âmbito do Dia Nacional da Luta Contra a Obesidade, promovido pela Associação Portuguesa de Pessoas que Vivem com Obesidade (ADEXO).
- Especialistas destacam a obesidade como doença invisível, com subdiagnóstico e estigma persistentes, e alertam para o descompasso entre evolução científica e acesso aos tratamentos.
A obesidade continua a ser tratada por muitos como falta de vontade, apesar de ser uma doença crónica. Em Lisboa, no MAAT Central, histórias em primeira pessoa foram reunidas para combater o estigma e dar visibilidade a quem vive com a condição.
Marisa M. contou que não cabia no carrossel com o filho, um momento que a fez perceber a necessidade de mudança. Assinalou que viver com obesidade não é viver. Hoje, o quadro está estável e ela orienta outras pessoas no mesmo caminho. A história dela integra a iniciativa Stories Can’t Wait, da Lilly Portugal.
A exposição fica patente até ao dia 4 de junho no MAAT Central, inaugurada no encerramento do evento promovido pela Associação Portuguesa de Pessoas que Vivem com Obesidade (ADEXO), no âmbito do Dia Nacional da Luta Contra a Obesidade. O objetivo é promover compreensão e empatia junto da comunidade.
A iniciativa e o objetivo
A peça central da Stories Can’t Wait, Torre dos Desequilíbrios, simboliza a fragilidade emocional associada à obesidade. Estruturada com blocos verdes, exibe sentimentos como frustração, ansiedade, julgamento, insegurança, preconceito e rejeição.
Maria Rita Dionísio, diretora médica da Lilly Portugal, explicou que a ideia nasceu do desejo de dar uma visão humana à obesidade, combinando ciência e emoção para humanizar a doença e incentivar quem ainda não procurou ajuda a dar o primeiro passo.
Debate e dados sobre a doença
Em Portugal, 28,7% dos adultos vivem com obesidade, doença reconhecida pela Direção-Geral da Saúde há mais de 20 anos e associada a centenas de doenças. No encontro de 20 de maio, especialistas e doentes discutiram o que falta fazer, a convite da ADEXO, com o tema Obesidade, uma doença invisível.
Carlos Oliveira, presidente da ADEXO, afirmou que a obesidade é mais do que a aparência externa e envolve sofrimento emocional e isolamento social. O estigma aparece em situações diárias, como ao aceder a serviços de saúde ou farmacêuticas.
Nuno Vicente, secretário adjunto da SPEDM, destacou que a obesidade tem evoluído, mas o acesso a tratamentos não acompanha a inovação médica. Já José Silva Nunes, da SPEO, lembrou que o custo associado às doenças ligadas à obesidade é elevado para o sistema de saúde, e o investimento na prevenção é crucial.
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