- Um estudo com mais de 28 mil pessoas com 50 anos ou mais, em 14 países europeus, encontrou associação entre boa capacidade de mastigação ou ausência de próteses dentárias e melhor desempenho em testes cognitivos.
- Os resultados apontam melhorias na lembrança de palavras, na fluência verbal e na memória numérica entre quem mastigava bem.
- Especialistas sugerem que circuitos neurais que ligam o sistema digestivo ao hipocampo, bem como o aumento do fluxo sanguíneo cerebral com mastigação prolongada, podem explicar a ligação com a função cerebral.
- Também há evidência de que mastigar durante mais tempo pode melhorar a concentração e o desempenho em tarefas cognitivas.
- Os cientistas alertam que a relação entre mastigação e saúde cerebral ainda está a ser investigada e que a mastigação pode reflectir, em parte, fatores como alimentação, acesso a cuidados de saúde e estilos de vida.
Durante um estudo envolvendo mais de 28 mil pessoas com 50 anos ou mais, realizada em 14 países europeus, foi encontrada uma associação entre a capacidade de mastigação e desempenho cognitivo. Os participantes com boa mastigação ou sem placas dentárias apresentaram melhores resultados em testes de memória, fluência verbal e memória numérica.
Os investigadores explicam que a mastigação ativa múltiplos circuitos neurais que ligam o sistema digestivo ao hipocampo, região crucial para a memória e a orientação espacial, áreas entre as primeiras afetadas pela doença de Alzheimer. Além disso, mastigar por períodos mais prolongados pode aumentar o fluxo sanguíneo cerebral, segundo pesquisas citadas pelos autores.
Entre os especialistas que comentam o tema, o dentista Andries van der Bilt ressalta que a mastigação é a primeira fase da digestão, contribuindo para a absorção de nutrientes e sensação de saciedade. O neurocientista Abhishek Kumar, do Instituto Karolinska, cita a ideia da vertente “mordida-cérebro” como evidência de ligação direta entre mastigação e saúde cerebral.
Resultados adicionais apontam melhorias na concentração: num teste com dois grupos, o grupo que mascava pastilha elástica mostrou maior atenção e desempenho em tarefas cognitivas. Contudo, os autores observam que a relação entre mastigação e função cerebral ainda está em investigação, e fatores como alimentação, acesso a cuidados de saúde e estilos de vida podem influenciar os resultados.
Implicações e próximos passos
Os investigadores destacam que a associação não implica causalidade comprovada e que mais estudos são necessários para confirmar o efeito da mastigação na saúde cerebral. As evidências atuais apontam, porém, para uma possível relação entre hábitos orais e desempenho cognitivo à medida que o envelhecimento avança.
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