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Coordenadores da rede de cuidados continuados dizem que diploma do PS não basta

Coordenadores alertam que o diploma do PS para responder a internados após alta é confuso e de difícil aplicação, defendendo reforçar cuidados domiciliários

Em Janeiro, cerca de 2800 utentes com alta clínica continuavam internados nos hospitais públicos
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  • Coordenaores da rede nacional de cuidados continuados alertam que o projeto de lei do PS para responder a pessoas com alta clínica que permanecem internadas confunde conceitos e seria de difícil aplicação prática.
  • Abel Paiva aponta uma mistura de conceitos que torna a operacionalização problemática, sobretudo nos critérios de referenciação; Cristina Caetano diz que o diploma não acrescenta valor e causa ruído, dando o exemplo de acolhimento em equipamentos sociais sem capacidade para cuidados adequados.
  • Irene Costa, deputada do PS, afirma que o objetivo é resolver o problema das camas ocupadas, com uma resposta estruturada entre Saúde, Segurança Social, autarquias e comunidade, com financiamento dedicado.
  • O diploma prevê uma nova resposta social designada de “residência de transição”, com capacidade até 10 utentes e permanência de até dois anos, para encaminhar para outra solução.
  • O piloto de cuidados continuados domiciliários já está em 31 das 39 unidades locais de saúde, com aumento médio de 46,1% de doentes assistidos nos primeiros seis meses; em janeiro, cerca de 2.800 utentes com alta clínica continuavam internados.

O coordenadores da rede nacional de cuidados continuados alertaram que o projecto de lei do PS para responder a quem continua internado após alta clínica confunde conceitos e pode enfrentar dificuldades de implementação. A posição foi apresentada nesta terça-feira, na comissão parlamentar de Trabalho, Segurança Social e Inclusão, durante a apreciação na especialidade do diploma que cria o programa “Voltar a Casa”.

Os responsáveis da RNCCI contestam a operacionalidade da medida, destacando que mistura critérios de referenciação difíceis de aplicar na prática. A coordenadora da área da Segurança Social, Cristina Caetano, afirma que o texto não acrescenta valor e gera ruído. A título de exemplo, aponta que o diploma fala em acolhimento em equipamentos sociais para quem aguarda vaga, mas esses espaços não têm capacidade nem competências para prestar os cuidados necessários.

A deputada Irene Costa, do PS, sustentou que o objectivo é resolver um problema de ocupação de camas hospitalares, articulando Saúde, Segurança Social, autarquias e comunidade com um financiamento estável. O diploma menciona um aumento de utentes na situação descrita e prevê a criação de uma nova resposta social designada de “residência de transição”, com capacidade para até 10 utentes e permanência até dois anos.

Medidas propostas

Segundo o texto, as residências de transição destinam-se a utentes com alta clínica, encaminhando-os para outras respostas sociais. O grupo aponta também a expansão do projecto-piloto de cuidados continuados domiciliários, já implementado em 31 das 39 unidades locais de saúde, com aumento de 46,1% no número médio de doentes assistidos nos primeiros seis meses. A RNCCI defende que este tipo de resposta é a prioridade em cuidados de longa duração.

Para sustentar a avaliação, os coordenadores lembram dados de janeiro, que indicam cerca de 2800 utentes com alta clínica ainda internados, à espera de resposta social ou de vaga em cuidados continuados. Defendem, ainda, a revisão do vocabulário para evitar estigmas associados a “casos sociais” e pedem maior clareza na operacionalização do sistema.

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